DISPUTA DE PODER: ITA e INPE enfrentam mudanças

SindCT prevê dificuldades no ITA com nomeação de reitor ligado a projeto de Estado Mínimo

Duas importantes mudanças ocorreram na área da C&T nos últimos meses.

O diretor do INPE, Gilberto Câmara, solicitou ao ministro Aloizio Mercadante sua saída do cargo de direção.

O reitor do ITA, Reginaldo dos Santos, terminou seu mandato e assumiu a direção da Alcantara Cyclone Space (ACS), no dia 13 de outubro.

Por Fernanda Soares
e Vitor Portezzani

O ministro Mercadante já formou o Comitê de Busca, sistema utilizado há mais de dez anos para a escolha do novo diretor do INPE.

As inscrições para o cargo estão abertas.

Neste processo, o Comitê é presidido pelo professor Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e tem entre seus membros os também professores Carlos Alberto Aragão de Carvalho Filho, da UFRJ e da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS); Carlos Afonso Nobre, secretário de Política e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI (Seped), José Humberto Andrade Sobral (INPE) e Satoshi Yokota, do Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento, de São José dos Campos.

Escolha do reitor do ITA

Para a escolha do novo reitor do ITA foi constituída uma Comissão de Alto Nível equivalente ao Comitê de Busca formado no INPE, responsável por analisar os currículos e apresentar uma lista tríplice ao Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Juniti Saito.

Apesar de a Portaria 263/GC3, de 17 de maio de 2011, informar que a Comissão de Alto Nível seria composta por cinco membros, apenas quatro a compuseram e foram os responsáveis pela formação da lista tríplice. São eles:

• Prof. Dr. José Raimundo Braga Coelho (diretor do Parque Tecnológico de São José dos Campos);
• Eng. Luís Carlos Affonso (vice-presidente de Novos Programas da Embraer);
• Brigadeiro-do-Ar, Wander Almodovar Golfetto (subdiretor técnico do DCTA);
• Dr. João Filgueiras de Azevedo (pesquisador titular do IAE).

Oito foram os inscritos para ocupar o cargo de reitor. Todos com currículos altamente especializados, com passagem pelo ITA ou ainda professores do instituto, e experiências no DCTA, INPE e no exterior. A Comissão de Alto Nível encaminhou a lista tríplice com os nomes dos seguintes candidatos:Carlos Américo Pacheco, Cláudio Jorge Pinto Alves e Horácio Hideki Yanasse.

O nome escolhido pelo comandante da aeronáutica e já nomeado pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, foi Carlos Américo Pacheco, membro do Instituto Fernando Henrique Cardoso.

Nossa avaliação

Na Dança das Cadeiras no INPE e ITA uma vaga já foi ocupada pelo professor Dr. Carlos Américo Pacheco.

Para reavivar a memória do leitor, publicamos dois trechos de diferentes Rapidinhas divulgadas pelo SindCT e disponíveis em nosso site. Veja na coluna seguinte:

“Pacheco ferra os servidores de C&T mandando descontar ao arrepio da lei, arrocha os servidores intermediários (técnicos e assistentes) e ainda tem a cara de pau de pedir votos para o PSDB.” Rapidinha 33, de 30/08/2000.

“Não nos curvamos no passado recente diante de Carlos Américo Pacheco, tucano, arquiinimigo dos servidores de C&T, amigo e confabulante de Câmara e não vamos nos curvar diante de seus seguidores.” Rapidinha 28, de 08/11/2007.

Sabe-se que em um governo de coalizão, o governo está sempre em disputa.

Nesse caso, na escolha do governo petista prevaleceu o modo tucano de governar, dadas as características políticas da cidade, da região e do perfil do escolhido.

PSDB de carteirinha, a trajetória de Pacheco, engajado na campanha do candidato José Serra à Presidência nas últimas eleições, não deixa dúvidas quanto às suas opções políticas.

Como não acreditamos na neutralidade da ciência, façamos nossas apostas sobre o que virá com essas mudanças:

• OS´s
• privatizações
• terceirizações
• falta de concurso público
• baixo domínio tecnológico

Resta saber como se comportará o Comitê de Busca e principalmente o ministro Mercadante na definição do futuro diretor do INPE.

É fundamental que o mesmo não se deixe influenciar pelo jogo político rasteiro e conservador da elite governante associada à área de C&T em São José e região, do contrário, o futuro do Programa Espacial Brasileiro estará cada vez mais ameaçado.

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