FELIZ ANIVERSÁRIO IAE: melhores dias virão

Décadas perdidas ameaçam futuro do IAE

Ausência de renovação de quadros impede transferência de conhecimento entre as gerações de trabalhadores.

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) é quase sexagenário. No dia 16 de outubro completou 57 anos de existência. Houve entrega de medalhas a servidores civis e militares pela dedicação de toda uma vida profissional à instituição que tem por principal missão o desenvolvimento de um foguete lançador de satélites.

Em seu discurso o diretor reconheceu a prestimosa contribuição daqueles que se despedem; expressou ainda, de forma velada como convém à sua posição, os profundos problemas por que passa não apenas o IAE, mas toda a C&T no Brasil. Nas “solenes boas vindas” aos novos servidores reconheceu a importância da renovação das competências, “da injeção de curiosidade, arrojo, ânimo e entusiasmo, … sem o quê não se faz ciência”. “Tradução” de suas palavras: vivemos duas décadas perdidas, sem recursos minimamente suficientes para seguir rumo ao tão almejado objetivo. Perderemos mais outra década, porque não há mais tempo para o repasse de experiências que não se transmitem exclusivamente por livros ou relatórios. Os que saem especificaram, projetaram, construíram e testaram artefatos, componentes, peças e partes.

Vivendo o drama da vida, erraram, acertaram, e até morreram, desbravando os caminhos. Não obstante o pioneirismo destes, outros terão que repetir muitos dos erros já cometidos, na reconstrução das experiências que a memória humana não transferiu. Se a riqueza de uma empresa se mede pelas pessoas que a constitui, nossas instituições de C&T empobrecem a cada dia. Nossos heróis levam a saudade de um IAE jovem e impetuoso, infelizmente humilhado e quebrantado pelo descaso.

O diretor poderia fazer mais, as autoridades poderiam fazer mais. Se tudo o que nos pode oferecer é a medalha e o convite à esperança, nós os aceitamos como prova de reconhecimento a todos os servidores ativos e aposentados, com orgulho e obstinação. Resta-nos a esperança do dia em que se curem as miopias e as traições daqueles que deveriam ser os promotores de políticas adequadas ao desenvolvimento tecnológico espacial brasileiro. Políticas que correspondam às expectativas da comunidade científica rumo ao futuro e às conquistas de que precisam o povo brasileiro. Feliz aniversário IAE, de passado glorioso, ora vilipendiado e desprezado. Melhores dias virão.

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