Mundo

NEOLIBERALISMO: O barco faz água e os povos acordam

O Chile continua a ser um exemplo

Londres, Atenas, Madri, Santiago: não há mistério, as explicações são lógicas

Por Vito Giannotti

O ano de 2011 começou com as revoltas nos países árabes.

Depois, o centro das manifestações passou para Atenas, Madri, Barcelona, Paris.

Em agosto as praças de Santiago do Chile, Londres e Madri encheram-se de milhares de manifestantes “indignados”. Aqui na América Latina, em Santiago do Chile, dezenas de milhares de jovens retomaram os protestos contra a privatização do ensino. Este movimento tem mais de três anos.

Começou com a chamada “Revolta dos Pinguins” em alusão à farda escolar obrigatória dos estudantes imposta pela Ditadura assassina de Pinochet.

A revolta deste agosto se ampliou e passou dos estudantes a todas as camadas sociais que foram atingidas pela política neoliberal de retirada de inúmeros direitos, outrora orgulho dos chilenos.

De modelo socialista a modelo neoliberal

O Chile, com a eleição de Salvador Allende, em 1970, passou a ser a esperança de milhões de socialistas, na América Latina e do mundo.

O governo da Unidade Popular não poderia dar certo, na visão geopolítica do Grande Irmão imperialista da época. E assim, os EUA, com a burguesia chilena tramaram e deram o golpe que implantou a ditadura militar para exterminar este péssimo exemplo para o mundo.

Trabalhador teria que pensar só em trabalhar, estudante em estudar, e acabar com qualquer sonho de um país socialista. Mas o Chile foi escolhido pelos Chicago Boys, os portaestandartes do neoliberalismo mundial, para ser um país exemplar da nova política a ser implantada no mundo, ao mesmo tempo em que o pólo socialista/comunista se desintegrava.

E foi assim que o Chile aplicou a receita do neoliberalismo de Milton Friedman e Hayek.

Prisões, torturas e assassinatos sem número, desaparecidos, repressão generalizada e campo livre para a privatização de toda a economia e retirada dos famosos direitos do povo chileno, com sua educação, saúde e serviços exemplares.

Um belo exemplo, extremo, de governo neoliberal.

Da derrota nas urnas às batalhas nas ruas

Após 20 anos de governo da tal “Concertación”, um governo híbrido, nem carne nem peixe, a direita, em 2010, voltou oficialmente ao poder. Só que o jogo está complicado.

Hoje, o Chile está no caminho da Europa e dos países árabes, onde massas enfurecidas se juntam, berram, incendeiam carros e lojas a despeito de toda a repressão. Lá, não há mistério.

Na França houve grandes mobilizações em 2005 contra a reforma da Seguridade Social.

Hoje, em Londres, Dublin, Lisboa, Madri, Atenas, Tel Aviv e até na anestesiada Roma de Berlusconi, centenas de milhares de manifestantes gritam contra o desemprego, os salários cada vez menores, a precarização e a retirada pura e simples de históricos direitos trabalhistas e sociais.

Ou seja, se revoltam contra as consequências do modelo neoliberal que dominou o mundo, quase inconteste, durante 30 anos, a partir do exemplo chileno.

O nome do grande inimigo que orquestra as rebeliões de hoje é neoliberalismo que a começar do Chile de Pinochet, impôs o pensamento único ao mundo, junto com o seu FMI, sua Fox News e, claro, as armas do Pentágono.

Tudo isso a mídia quer esconder

Para as agências de notícias que alimentam jornais, rádios e TVs do mundo inteiro, os jovens manifestantes de Londres, Barcelona, Atenas ou de Santiago do Chile não passam de vândalos, revoltados sem causa e quando não quase terroristas.

A mídia empresarial/comercial do mundo e nossas Globos, Vejas e FSP juntas, nada dizem dos maiores índices de desemprego, na Europa, após a famosa crise de 1929.

Países outrora “modelo” como França, Inglaterra e Suécia têm, hoje, uma média de mais de 20% de jovens entre 16 e 24 anos, desempregados.

E o Chile? Cadê o exemplo de país que deu certo? Não há mais escola pública, saúde pública e serviços. Quem puder que pague!

É por isso que os estudantes, os “Pinguins” arrastaram para as ruas centenas de milhares de manifestantes.

O inimigo deixa de ser oculto e passa a ter nome e sobrenome: Projeto Neoliberal.

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