Nossa história

UM SONHO DISTANTE: Libertas quae sera tamen

O lema da Inconfidência Mineira continua atual

O sonho de se construir uma verdadeira nação brasileira, onde o Estado e suas instituições estejam a serviço do bem comum, cumprindo as funções a que se destinam, ainda não se concretizou.

Passados mais de dois séculos, esse sonho parece ficar ainda mais distante. Enfatizamos o lema dos Inconfidentes, não por saudosismo ou por razões filosóficas sobre o destino do Brasil, mas para que possamos tecer algumas considerações sobre a história recente do INPE e o anunciado desfecho da atual gestão, que já vai completando seis longos anos.

Diz-se popularmente que a história é sempre cíclica. Mas nas duas últimas décadas, a história do INPE tem proporcionado grandes períodos negativos ou de destruição, intercalados por curtas fases de otimismo e reconstrução.


Uma viagem pela nossa história

Não vamos nos alongar na década de 90, onde a visão equivocada de Estado Mínimo quase levou ao sucateamento das universidades públicas e das instituições de pesquisa e desenvolvimento. O INPE não foi exceção.

Da Redação -Arquivo SindCT

Começamos nossa viagem a partir de 2002, quando um período de reconstrução se iniciava.

2002

Dispensa comentário a situação desastrosa da instituição:

Salários extremamente defasados
Equipes desmotivadas e desfalcadas
Setor empresarial na área espacial praticamente inexistente

O orçamento do INPE naquela época também era muito baixo e naturalmente insuficiente para qualquer tentativa de novos programas.

Um trabalho sério, competente, discreto, sem polêmicas, sem propagandas ou foguetórios, foi iniciado pela direção que tinha acabado de ser empossada.

Várias frentes foram atacadas simultaneamente, como recomposição orçamentária do INPE, planejamento de uma Política Industrial capaz de recuperar o setor espacial, estabelecimento de novos acordos com a China, reorganização das equipes da engenharia espacial e modernização da infra-estrutura.

2003

Os resultados não tardaram a aparecer: em outubro de 2003, era lançado o CBERS-2.

A recomposição orçamentária foi concretizada, fruto de um trabalho cuidadoso e bem articulado comandado pela então direção do INPE, onde participaram a AEB, o MCT e membros do Congresso Nacional.

Isto possibilitou que se iniciasse a construção do CBERS-2B, e que no início de 2004, fosse iniciado o desenvolvimento da nova geração de satélites em parceria com a China – CBERS 3/4. Nesta nova geração, a participação brasileira aumentou para 50%.

Além disso, esses dois últimos satélites possuem câmeras de maior sofisticação do que na primeira geração. Política Industrial ousada

Uma Política Industrial ousada foi adotada para o desenvolvimento dos subsistemas e equipamentos sob a responsabilidade brasileira. Todos esses subsistemas e equipamentos foram contratados integralmente na indústria brasileira, num montante da ordem de U$ 300 milhões.

As contratações foram realizadas obedecendo rigorosamente a Lei de Licitações 8666, com sucesso absoluto, considerado anteriormente como algo impossível.

Isto se constituiu num dos mais belos exemplos de Política Industrial já realizados no país, dentro da diretriz governamental de Pesquisa: Desenvolvimento e Inovação.

Essa Política Industrial recebeu à época vários elogios, tanto de importantes setores do governo como da iniciativa privada.

2005

Ao final de 2005, o INPE tinha readquirido um ritmo somente comparável aos áureos tempos do final dos anos 80.

O Instituto estava “redondo” nas palavras de membros da antiga direção.

Três satélites estavam em andamento, entre os quais, destaca-se o CBERS-2B, construído e posto em órbita em prazo recorde.

A Política Industrial e a recuperação do setor espacial causavam entusiasmo, a recomposição do orçamento possibilitava que os contratos e a respectiva execução orçamentária fossem realizados a contento.

Recuperação do quadro

Embora de forma lenta, a recuperação dos quadros do instituto vinha sendo realizada através de concursos públicos.

O único ponto que causava grande preocupação naquela época era a questão salarial.

Um esforço conjunto, realizado pela antiga direção e o SindCT, só foi gerar frutos algum tempo mais tarde, em 2008 e 2009, com aumentos reais superiores a 50%, melhorando a situação de penúria que já perdurava há mais de uma década.

Exatamente nessa época, final de 2005, a atual direção assumia o comando e os destinos do INPE. As razões da mudança de direção ainda são motivos de polêmicas.

Por que retirar uma direção que vinha conduzindo bem o instituto e gerando resultados promissores? O novo diretor levou para o instituto uma visão parcial sobre as finalidades do INPE. Focava sempre a importância da área ambiental, subestimando as áreas de ciências espaciais, pós-graduação e principalmente as áreas de tecnologias espaciais.

Com o INPE sob nova direção, os ataques gratuitos às áreas de ciências espaciais, pós-graduação e tecnologias espaciais passaram a ser frequentes. Os primeiros ataques destinaram-se aos Laboratórios Associados. Em seguida, a ETE e o LIT passaram a ser alvos.

Compartilhe
Share this

testando