Editorial

INPE, DCTA, PROGRAMA ESPACIAL: O Brasil espera da gente

A sociedade científica quer que o Programa Espacial Brasileiro seja estruturado como política estratégica de desenvolvimento

Metas bem definidas, modernas ferramentas de gestão, aporte de recursos financeiros, carreiras atrativas e salários que atraiam e observem os melhores talentos na atividade de C&T espacial são necessidades imediatas. Os resultados da campanha salarial são causa de forte clamor entre os servidores das instituições de C&T. Em verdade, não há o que celebrar. Quando buscávamos o reconhecimento da &T como carreira estratégica, o governo ficou devendo até mesmo a mínima reposição das perdas inflacionárias.

Perde o povo brasileiro, e vem perdendo por longo tempo. Já em 1918 Santos Dumont alertou para ma realidade: os EUA fabricavam ostensivamente aviões, num momento em que o congresso americano ordenava a construção de 22.000 aeronaves.

O centro de desenvolvimento aeronáutico que ele antevia somente veio a se concretizar 30 anos depois! Amargamos enorme atraso tecnológico: enquanto os EUA pisavam a lua, nós lançávamos o Bandeirante, projeto PD-6504, que deu origem à Embraer. Sob a alegação de “Tecnologia sensível”, enfrentamos embargos dos países fornecedores de sensores e tecnologias embarcadas em nossos artefatos. Para vender os nossos visões temos que pedir autorização dos fornecedores destes artigos.

Vagões de ferros X chips O Brasil segue sendo fornecedor de commodities, de produtos primários, sem valor agregado, de baixa remuneração, fazendo o trabalho sujo. Trocamos toneladas de minério de erro por um chip, enquanto um quilo da aeronave Embraer 195 custa 7000 vezes o do mesmo minério; já pagamos por um foguete estrangeiro o lançamento de um satélite ao custo de US$ 450 mil por quilo.

Os países detentores de tecnologia espacial de observação enxergam em nossa erra o que nós nem sonhamos! Queremos como eles as ferramentas modernas que facilitam a vida do agricultor, ajudam a prever e alertar acidentes naturais, facilitam as comunicações, tornam mais segura a ossa aviação, ajudam a vigiar e proteger as nossas fronteiras entre outros benefícios.

Uma questão de soberania Acorda sociedade, acorda governo brasileiro, nossa soberania clama! A sociedade científica quer que o programa espacial brasileiro seja estruturado como política estratégica de desenvolvimento, com metas bem defi nidas, modernas ferramentas de gestão, aporte de recursos fi nanceiros, carreiras atrativas e salários que atraiam e conservem os melhores talentos na atividade de C&T espacial.

Há muito que mudar, a começar por decisão e vontade de fazer; o governo precisa decidir se quer mesmo desenvolver tecnologia espacial.

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