NOSSO MUNDO: CRISE CAPITALISTA COMPARÁVEL À DE 1929

A CRISE AMERICANA: marolinha ou tsunami?
Os EUA no olho do furacão

Por Ernesto Gradella

O termo “marolinha” usado pelo ex-presidente Lula, ao se referir aos efeitos da crise econômica mundial no Brasil em 2008, não refletiu a verdade dos aproximadamente 25 trilhões de dólares gastos no mundo pelos governos para impedir uma recessão global, dessa crise capitalista comparável à de 1929.

Medidas caras, mas de curto efeito, pois a crise econômica internacional voltou aos noticiários: risco de quebra dos países europeus, ataques especulativos, rebaixamento dos títulos do tesouro norte-americano, e mais dezenas de fatos impensáveis há pouco tempo.

O governo de Barack Obama, desde o início da crise em 2007, mantém uma política expansiva para evitar a recessão. Incentiva gastos, mantém quase zerados os juros e toma medidas como os 600 bilhões de dólares que injetou na economia.

Tais medidas mostraram se insuficientes para evitar a desaceleração da economia. O crescimento veio baixando em 2010 entre o 1º e o 4º trimestre (3,9%, 3,8%, 2,5% e 2,3%), recuando ainda mais em 2011 (0,4% no 1º trimestre e 1,3% no segundo).

O desemprego segue alto, com um índice oficial de 9,2%: um em cada quatro trabalhadores norteamericanos está desempregado ou subempregado.

O gigantesco déficit fiscal dos EUA, gerado durante o governo W. Bush para financiar cortes nos impostos dos mais ricos, subsidiar empresas e pagar as guerras do Iraque e do Afeganistão, em 2008 dá um salto brutal com os pacotes de ajuda do governo ao setor financeiro.

Os atuais 14,3 trilhões de dólares de dívida equivalem a um quarto do PIB mundial.

Com o acordo fechado, no último dia 1º.08, entre republicanos e democratas, o governo está autorizado a elevar o endividamento em mais 2,1 trilhões de dólares, mas terá que fazer uma redução de até 2,5 trilhões nas despesas governamentais nos próximos dez anos. Reduz os gastos sociais, mas não aumenta um centavo nos impostos dos mais ricos.

Abandona assim o programa de mudanças pelo qual foi eleito. O tão temido calote dos EUA não ocorreu, mas a crise está longe do fim.

O efeito recessivo dos cortes vai frear mais ainda a economia, apontando para uma nova recessão, e também aprofundamento dos ataques aos trabalhadores nos serviços sociais. Terá também um reflexo duro em estados e municípios ora em crise.

Já o rebaixamento dos bônus do Tesouro dos EUA debilita e torna mais instável o sistema de moedas mundial, desencadeando uma queda generalizada nas Bolsas em todo o mundo. Não existe moeda alternativa ao dólar, assim como não existe um outro pólo imperialista.

Até o momento não houve uma resposta a altura pelo proletariado norte-americano. Vamos acompanhar para ver se os trabalhadores dos EUA protagonizarão grandes lutas como os dos países europeus.

A velha “luta de classes” é que vai determinar se, após essa grande onda destruidora da crise econômica capitalista, os trabalhadores serão obrigados a viver em uma terra arrasada ou reconstruirão seu país sobre novas bases, mais humanas e solidárias.

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