SAÚDE: EMERGÊNCIAS LOTADAS e filas para realização de exames são realidade na saúde privada

Uma espera que pode ser fatal

Trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas recorrem ao SindCT para marcação de consulta pelo convênio médico. Descaso dos convênios privados com saúde de seus clientes incomoda também no Rio de Janeiro.

Por Claudia Santiago

Em maio deste ano, uma moradora do Rio de Janeiro, que prefere não se identificar, tentou marcar uma consulta médica.

Do outro lado da linha, a atendente respondeu solícita: “sim, temos vaga para 16 de agosto”. Assustada, a paciente perguntou se não havia jeito de ser atendida antes. Sim, respondeu, a secretária.

“Fora do plano de saúde, pagando a consulta”. Se eu pagar quando serei atendida? Perguntou: “amanhã”.

Sem recursos para fazer o pagamento, o jeito foi esperar. Não era a primeira vez que se deparava com problemas no atendimento de saúde privada. “No final do ano passado, esperei por três horas por atendimento na emergência de uma clínica particular no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro”, afirma.

Resolução da ANS Beneficiada pela resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) - responsável por fiscalizar as operadoras de saúde do país -, do dia 20.06.2011, que limita a 21 dias o prazo para exames de alta complexidade, conseguiu fazer seus exames em 15 dias.

Menos um: teste de esforço. Por este, teve de esperar 45 dias. É que as regras passam a valer após 90 dias úteis.

Uma resolução, aliás, tremendamente questionável, pois para cumprir com os prazos, a operadora poderá agendar a consulta com qualquer médico de sua rede credenciada. Ou seja, não necessariamente o profissional de sua escolha.

Não precisa ser médico para saber a importância que há no conhecimento entre médico e paciente, mas estes, mais do que ninguém, sabem desta necessidade.

“Hoje temos um estranho avaliando outro estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo; provavelmente, nunca mais se encontrarão.

É de se lamentar”, afirma o prof. Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, em artigo publicado na página da Associação Paulista de Medicina.

Mais na frente, complementa: “Nada substitui o tratamento humanizado, nada é mais importante do que o médico que tem nome e rosto e que conhece o nome e o rosto de seu paciente”.

Em São José Em São José a situação não é diferente do que acontece no Rio de Janeiro.

Inúmeras reclamações e pedidos de ajuda para marcação de consulta chegam ao SindCT. “Solicito ajuda para agendar uma consulta urgente, com um cardiologista, para o meu marido. Ele ainda continua com a pressão muito alta e não pode correr o risco de ter outra isquemia vascular”, diz, em e-mail ao Sindicato, Marisa Ricco, trabalhadora da Coordenação de Planejamento Estratégico do INPE.

“A dificuldade é muito grande para conseguir uma consulta. No mínimo, demora um mês. Em caso de urgência, não é possível esperar.

Meu marido só foi atendido com a intervenção do Sindicato. E continuo tendo problemas para marcar consultas”.

A mesma situação foi enfrentada pela pensionista do DCTA, Marili Feber Teixeira, 79 anos. Após ser atendida pelo serviço de pronto atendimento da Unimed, recebeu a indicação de procurar um ginecologista.

A nora, Vera Lúcia Escudero Feber, que a acompanhava, precisou procurar a assistência social do convênio para garantir o atendimento.

O mesmo se deu para conseguir uma consulta na neurologia. No primeiro contato soube que precisaria esperar mais de 30 dias.

No final, conseguiu ser atendida com 15 dias de espera.

Uma espera que poderia ser fatal.

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