REMOÇÕES de pessoas e degradação ambiental

Expansão de vias coloca em risco comunidades e o meio ambiente

Um debate que já se tornou comum em cidades escolhidas para sediar jogos olímpicos está presente também em São José: o destino de comunidades inteiras dispersadas para dar lugar a grandes obras e, muitas vezes, à especulação imobiliária.

Por Fernanda Soares

A Prefeitura de São José conseguiu empréstimo junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bid), para continuar o plano de expansão viário na cidade.

De acordo com o contrato que será assinado em agosto, o município irá contrair uma dívida de R$ 135 milhões para ser paga em 14 anos, com juros de 5% ao ano.

A verba será destinada para a construção de três novas vias: a do Banhado, a da Ressaca e Via Cambuí. De acordo com o projeto, parte da verba deverá ser utilizada na desapropriação de casas, criação de parques ambientais nas regiões das vias e em investimentos no transporte público.

O coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), em São José, Cosme Vitor, estima que a expansão atinja cerca de três mil famílias.

No momento, ele trabalha para mostrar ao Bid os impactos que as obras propostas pela Prefeitura irão trazer para a comunidade.

“O projeto não mostra que é área de proteção ambiental, não mostra como estão atingindo as famílias e não diz para onde essas famílias irão. Queremos que o Bid reavalie esse empréstimo”, afirma. A via do Banhado e a continuação da Via Oeste, a Via da Ressaca, que passa atrás das ruas Winston Churchill, Ibaté e Bernardo Grabois no Jardim das Indústrias, passam por dentro da Área de Proteção Ambiental do Banhado. O Jornal do SindCT visitou as obras e pode constatar que os tratores que abriram a nova via passaram sobre nascentes que existem na região.

Moradores temem pelo futuro No Jardim das Indústrias, bairro onde apartamentos de R$ 700 mil reais são disputados, a obra está sendo custeada pelas construtoras MRV e Terra Simão, como contrapartida aos novos empreendimentos da região, como o Condomínio Esplendor.

A abertura da nova via passa rente aos muros das casas, deixando essas moradias com risco de desabamento. Rosemar Maria da Silva, moradora da região há 24 anos, teve sua casa atingida pela obra.

“O risco vai ser quando chegar a chuva. Vão desabar todas as casas e a Prefeitura e as construtoras não assumem isso.”

Maria Leda de Oliveira Santos mora no bairro há 18 anos. “A Prefeitura informou aos moradores que eles irão sair da região, mas não sabem para onde, nem quando”, diz.

A dona de casa Roseli da Silva disse que seu marido recebeu uma visita de pessoas da Prefeitura que solicitaram documentos pessoais e pediram para assinar alguns documentos.

Ela não sabe do que se trata, pois não receberam cópia da documentação.

Já a costureira Neusa Teixeira fala da lei que determina que a família removida deve ser deslocada para uma área próxima à antiga moradia.

Ela lembra com tristeza do caso da desapropriação de casas no mesmo bairro, onde está sendo construída a Arena Esportiva da cidade.

“A Rosângela (Maria da Silva) foi tirada daqui e colocaram ela numa casa no Campo dos Alemães. Ela teve depressão e morreu sete meses depois da mudança, deixou três filhos pequenos para a irmã criar.”

Ministério Público paralisa obras

No dia 1º de agosto, o juiz da 2ª vara da Fazenda Pública expediu uma liminar suspendendo as obras no Jardim das Indústrias até que se prove que as casas do entorno não sofrem risco de desabamento.

O pedido foi feito por 16 famílias da região, que entraram com uma medida cautelar por temer pela integridade de suas casas.

Apesar da liminar cedida, no dia 2 de agosto as obras continuavam.

Pelo visto, a pressão precisa aumentar.

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