ACIDENTE COM VLS: oito anos depois

Primeiro voo de qualificação deve acontecer em 2012

No dia 22 de agosto de 2003, 21 especialistas do DCTA que trabalhavam no preparo do voo do terceiro protótipo do VLS-1 morreram tragicamente no incêndio que atingiu a Torre Móvel de Integração (TMI), no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Por Fernanda Soares

Após o acidente muitas promessas de continuidade do programa foram feitas. Familiares das vítimas se empenharam em dizer ao Governo o quanto desejavam o sucesso do Programa Espacial Brasileiro.

Conheciam o amor dos especialistas pelo Programa, realizado com falta de recursos, falta de pessoal, falta de infraestrutura e baixos salários aos servidores. Hoje, oito anos após o acidente, a nova Torre Móvel de Integração (TMI), praticamente pronta, erguida no mesmo lugar da plataforma destruída em 2003, deve ser inaugurada no início de 2012.

Foram investidos R$ 44 milhões na construção e na implantação de sistemas mais modernos.

A sala de controle, sistemas de radares de trajetografia e meteorologia e a casamata, responsável pelo monitoramento e preparação dos foguetes antes de cada lançamento, foram reestruturados.

Dispositivos de segurança, como câmera, foram instalados.

Todos os sistemas analógicos foram substituídos por digitais, com comunicação feita por fi bra ótica.

A nova sala de controle foi inaugurada no final de julho.

Os novos sistemas são considerados os mais evoluídos tecnologicamente, proporcionando maior segurança nas operações de lançamento e eliminando qualquer possibilidade de sabotagem.

No dia 28 de julho, os ministros da Defesa, Nelson Jobim; das Comunicações, Paulo Bernardo; e de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco; visitaram as instalações do CLA acompanhados pelo presidente da AEB, Marco Antônio Raupp, e do diretor do DCTA, tenente-brigadeiro do Ar Aílton Pohlmann.

Após a visita, em entrevista à Rádio Nativa FM, o diretor do CLA, coronel Ricardo Rangel, mostrou-se otimista: “Hoje, com a conclusão da modernização do CLA, mostramos que estamos completamente preparados para lançamentos de grande porte. Estamos preparados para fazer o primeiro voo de qualificação do VLS em 2012”.

A Agência Espacial Brasileira trabalha com a expectativa de que somente em 2015 seja lançado o VLS com carga útil.




De volta ao 22 de agosto

Em 22 de agosto de 2003 o SindCT e os funcionários do INPE e DCTA enfrentam uma grande tragédia: a morte de 21 funcionários com a explosão do VLS na Base de Lançamento de Alcântara.

Às 13h23 uma grande nuvem de fumaça pode ser avistada. A população local ficou tremendamente apavorada, sem saber do que se tratava.

Em São José dos Campos a notícia chegava aos poucos.

Num primeiro momento foi avisada a explosão do VLS.

Uma hora depois, o DCTA comunicava que houvera perdas humanas.

O dia foi conturbado.

Os familiares das vítimas receberam a notícia pelos meios de comunicação.

Ninguém sabia ao certo quem havia sobrevivido.

Na base de Alcântara os telefones foram cortados.

Em São José, por volta das 22h, o DCTA começava a comunicar o fato oficialmente aos familiares das vítimas.

Em Alcântara, sobreviventes da tragédia foram colocados em um avião para serem trazidos de volta para São José.

Chegaram ao aeroporto do DCTA na madrugada do dia 23, onde eram aguardados por amigos e familiares.

Alguns familiares de vítimas, que ainda não haviam sido comunicados, foram recepcionar o avião, na espera de seus familiares.

A dor foi indescritível ao ver que seus parentes não desceram do avião.

O que se viveu após o dia 22 de agosto de 2003 foram grandes dias de sofrimento e angústia.

Uma semana se passou até que os corpos fossem finalmente identificados e trazidos para o DCTA.

No velório, promessas do então Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva.

Promessas de que as famílias não ficariam desamparadas.

Promessas que o Programa Espacial Brasileiro continuaria.




Depoimento de Dona Eloir após oito anos do acidente de Alcântara

Hoje oito anos após o acidente, as lembranças são muito fortes.

Aquela tarde de 22/08/2003 mudou a minha vida para sempre.

Começava ali uma nova trajetória. Muitos desafios que tivemos de enfrentar sem escolhas, horas amargas e dias difíceis que pareciam não ter fim.

Hoje eu me considero uma pessoa muito vitoriosa e agradeço a Deus por ter colocado em minha vida as pessoas certas na hora certa e momento certo. Deixo aqui o meu agradecimento a todas elas.

Porém, algumas coisas me entristecem. Apenas os familiares das vítimas foram punidos, com suas ausências, pelo acidente.

O projeto VLS saiu das páginas dos jornais para só retornar no mês de julho e agosto, próximo a cada aniversário desse grave e inesquecível acidente.

A perda das 21 pessoas que lutavam por um sonho maior foi pouco para as nossas autoridades acordarem para essa dura realidade. Sei que é difícil, mas impossível não!

Se outros países tem um programa espacial efetivo, por que o Brasil não pode ter? Ainda espero ver o sucesso do VLS, embora esse projeto tenha me levado o meu bem mais precioso.

(Eloir Waltrick de Souza Rocha brito – viúva do eng. Amintas Rocha Brito, falecido em 22/08/2003, na Base de Lançamento em Alcântara – MA)

Compartilhe
Share this

testando