Vitória de Ollanta Humala fortalece processo de integração latino-americana

ELEIÇÕES PERUANAS

Por Valter Pomar*

Ollanta Humala é o novo presidente do Peru. Ele já havia sido candidato em 2006, quando perdeu as eleições no segundo turno por aproximadamente 2% dos votos.

Desta vez ele venceu as eleições, também no segundo turno, por aproximadamente 2% dos votos.

Seu oponente em 2006 foi Alan Garcia, do APRA, um tradicional partido peruano. Já a oponente em 2011 foi Keiko Fujimori, filha do ex-presidente e ditador Alberto Fujimori, condenado à prisão por corrupção e violações de direitos humanos.

Ollanta ganhou as eleições por dois motivos principais.

O primeiro motivo é o apoio popular, especialmente nas províncias, apoio que provém de um fato muito simples: o Peru é um país rico, que cresceu muito nos últimos anos, mas também é um país extremamente desigual.

O crescimento do Peru não benefi ciou a todos, nem beneficiou a maioria.

O segundo motivo é que, em 2011, o medo da ditadura foi maior do que o medo da esquerda. Um exemplo disto foi a atitude do grande escritor Vargas Llosa, prêmio Nobel de literatura.

Vargas Llosa é um homem de direita.

No primeiro turno, ele disse que escolher entre Keiko Fujimori e Ollanta Humala seria como escolher entre a Aids e o câncer.

Mas, no segundo turno, Vargas Llosa não teve dúvida: engajou-se na campanha de Ollanta, porque ele não aceitava que o Peru voltasse a ser governado pela gangue corrupta e ditatorial dos Fujimori.

Ollanta soube manter o seu apoio entre os pobres e na esquerda.

Mas soube também ganhar a confiança das camadas médias e setores politicamente de centro. Mesmo que sejam numericamente pequenos, foram estes setores que o derrotaram em 2006 e, agora, garantiram a vitória.

Para ganhar estes apoios, foi muito importante um gesto político: apontar o Brasil e o governo Lula como exemplos. Não como modelos, mas como exemplos.

Ao fazer isto, Ollanta garantia que seu governo vai buscar melhorar a vida dos pobres, mas não vai expropriar os capitalistas.

Ainda sim, a maioria dos capitalistas votou em Keiko Fujimori, porque sabe que para melhorar a vida dos pobres, os ricos vão ter que pagar mais impostos.

No Peru, os impostos são muito pequenos, os ricos não pagam quase nada, e o Estado não tem recursos sufi cientes para investir na produção e nas políticas sociais.

O que muda no Peru, com a vitória de Ollanta Humala?

Três coisas, fundamentalmente.

Primeiro, o Peru torna-se um aliado dos demais governos progressistas e de esquerda latino-americanos, o que fortalecerá o processo de integração protagonizado pelo Brasil.

Segundo, o novo governo buscará distribuir, socialmente e geograficamente, a riqueza gerada pelo país. Terceiro, o país será mais democrático do que é hoje.

Evidentemente, nada disto acontecerá sem muita luta, muito conflito e muito ranger de dentes.

* Valter Pomar é historiador

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