Doenças e populações negligenciadas

SAÚDE: Alguns passos, mais ainda falta muito

Em 2007, o Brasil ficou em 6° no ranking de países que mais investiram dinheiro público em pesquisa e desenvolvimento para doenças negligenciadas, com quase US$ 22 milhões. O setor público respondeu por cerca de 70% e as organizações sem fins lucrativos, com 21%.

Por André Antunes
- EPSJV/Fiocruz

O programa Brasil sem Miséria, lançado recentemente pela presidente Dilma Roussef, pretende acabar com a extrema pobreza no país. Na área da saúde, uma das ações pretende combater o que o governo chama de doenças da extrema pobreza: tuberculose, hanseníase, esquistossomose, malária, helmintíase e infecção nos olhos. “Além das questões gerais que atingem a população brasileira como um todo, existem doenças que tanto são consequência da pobreza, como são perpetuadoras da miséria”, explica Carlos Maierovitch, do Ministério da Saúde.

Doenças negligenciadas

Embora o Ministério da Saúde não tenha adotado essa terminologia, as doenças presentes no plano de ação do Brasil sem Miséria fazem parte de um grupo também chamado de doenças negligenciadas, que inclui inúmeras outras doenças que afetam populações pobres na América Latina, Ásia e África. Além das que estão listadas nas ações do programa, esse grupo inclui ainda a doença de Chagas, a leishmaniose, a elefantíase e a doença do sono, entre outras. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças negligenciadas são aquelas que, por afetarem populações de baixo poder aquisitivo em países em desenvolvimento, não despertam o interesse da indústria farmacêutica, que não vê nelas uma possibilidade de auferir grandes lucros.

O papel do Estado

Segundo o G-FINDER, a indústria farmacêutica privada contribuiu com apenas 9% do montante investido em doenças negligenciadas em 2007; o setor público respondeu por cerca de 70% e as organizações sem fi ns lucrativos, com 21%. O Brasil ficou em 6° no ranking de países que mais investiram dinheiro público em pesquisa e desenvolvimento para doenças negligenciadas.

André Antunes é pesquisador da Fiocruz Bahia.
Texto na íntegra: http://www.epsjv.fi ocruz.br

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