Jornal chega à edição 50

CONTEÚDO CRÍTICO E OPINIÃO QUALIFICADA

Shirley Marciano

A publicação surgiu em fevereiro de 2011, com o objetivo de garantir informação de qualidade às bases do SindCT e noticiar com olhar crítico as questões relacionadas ao Programa Espacial Brasileiro, com destaque para INPE e DCTA. A chegada do Jornal do SindCT à sua 50a edição merece ser registrada: a partir do surgimento deste periódico mensal, em fevereiro de 2011, os servidores da base do SindCT e o público em geral passaram a ter acesso a conteúdos exclusivos sobre o Programa Espacial Brasileiro (PEB), que raríssimas vezes aparecem nas mídias comerciais.

Diferentemente das abordagens institucionais divulgadas pelas mídias pertencentes a órgãos governamentais, como a Agência Espacial Brasileira (AEB) ou o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), as matérias publicadas no Jornal do SindCT trazem um tom questionador, que pode levar o leitor a maior reflexão sobre os temas abordados. Além da área espacial, e dos assuntos de política científica e tecnológica em geral, que recebem grande atenção do jornal, ele também cobre política, economia, saúde, educação, cultura e cidade.

Outro destaque: as inúmeras questões relacionadas ao trabalho desenvolvido pelos servidores federais de C&T e aos seus direitos, com destaque para salários, benefícios e Previdência. O Jornal do SindCT nasceu com um objetivo desafiador: o de estimular um amplo e qualificado debate sobre o PEB. Missão ambiciosa, que visa contemplar demandas de um segmento que encontra dificuldades para colocar suas pautas em discussão junto à comunidade e à sociedade.

Como o SindCT não tinha experiência na área de comunicação impressa, foi contratada uma empresa, o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), do Rio de Janeiro, para “tocar” os primeiros números do jornal mensal. O projeto original foi desenvolvido pelos jornalistas Vito Gianotti (que viria a falecer em 2015) e Cláudia Santiago, ambos coordenadores do NPC.

“Tínhamos que começar de alguma forma. Então estabelecemos essa parceria com o NPC nas 15 primeiras edições. Sem dúvida que foi um importante passo. Hoje o jornal segue sua trajetória com pujança e melhorias contínuas”, ressalta Vitor Portezani, ex-diretor de Comunicação do SindCT. O periódico, com tiragem de 5.500 exemplares, tornou possível ao SindCT difundir informação consistente, mas igualmente as suas opiniões, de maneira mais eficiente e, desse modo, ganhar apoio para mudar o curso de diversas questões relevantes.

Foi assim em 2012, quando o então ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, propôs a fusão do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) com a AEB — um plano desastroso, denunciado e combatido pelo Jornal do SindCT. Depois, em especial em 2015, houve as sucessivas tentativas, até aqui todas fracassadas, de alterar o modelo de governança do INPE de modo a lhe subtrair o protagonismo na área espacial e entregar às mãos de grupos privados, por meio de “Organizações Sociais” (OS).

Paralelamente, foi criada pelo governo federal uma joint-venture entre Embraer e Telebras, a Visiona, para adquirir no exterior — supostamente com transferência de tecnologia — o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC). Desde a sua concepção, essa empreitada foi sistematicamente questionada pelo Jornal do SindCT. Foi provavelmente, até os dias de hoje, o único veículo de imprensa que apresentou leitura crítica desse episódio, denunciando todos os descaminhos.

O mesmo se deu com a binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), uma duvidosa parceria com a Ucrânia, encerrada melancolicamente em 2015, o que veio a dar razão às fundamentadas críticas que o jornal sempre lhe fez. Ainda nessa linha de “nadar contra a corrente”, a edição 49 apontou a natureza contraditória da Alada, empresa estatal que deverá atuar na mesma seara de uma das áreas do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespaciais (DCTA). Sucessão no INPE No início de 2016, o Jornal do SindCT acompanhou e noticiou passo a passo o processo de sucessão na diretoria do INPE, desmascarando, desde o início, o controle do processo por um grupo de lobistas liderado por Raupp, Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e Rogério Cezar de Cerqueira Leite, presidente do Conselho de Administração do Centro Nacional de Pesquisas de Energias e Materiais (CNPEM), que é uma OS.

Revelou-se que, dos cinco membros do Comitê de Busca do novo diretor nomeados pelo então ministro Celso Pansera (PMDB), quatro pertenciam ao Conselho de Administração do CNPEM: ou seja, além de Cerqueira Leite, também Raupp, Helena Nader e Reginaldo dos Santos (presidente da ACS). Entre os nomes indicados pelo Comitê de Busca estava o do físico Ricardo Magnus Galvão, que terminou por ser o escolhido pelo ministro Gilberto Kassab para ser o novo diretor do INPE.

Ocorre que, até recentemente, Galvão exerceu a função de fiscal das ações do Conselho de Administração do CNPEM, pois era membro da Comissão Avaliadora desse órgão. Diante das evidências de conflito de interesses (sempre negado, porém, por Galvão), o SindCT representou à Procuradoria Geral da República (PGR), com base nas reportagens publicadas pelo Jornal do SindCT e pelo blogue SindCT Espacial. Dentro das limitações de sua periodicidade (por ser mensal, não lhe é possível cobrir com agilidade determinados acontecimentos), a publicação procura analisar os principais fatos da política nacional.

Desde as manifestações iniciadas em junho de 2013 até o golpe parlamentar contra a presidente eleita, Dilma Rousseff, consumado em agosto último, o jornal procurou mostrar ao leitor os bastidores da crise e as informações sonegadas ao público pela Rede Globo e por outras mídias comerciais. Tanto no campo da política como nos demais temas editoriais, vale destacar o talento do chargista Carlos Latuff, que colabora com o jornal desde a sua criação e produziu matéria-prima para capas que repercutiram intensamente entre os leitores, como as que abordaram o despejo dos moradores do Pinheirinho e o caráter privatista da gestão do então ministro Raupp.

“O Jornal do SindCT se tornou uma referência nas discussões sobre o Programa Espacial Brasileiro, porque, além do número de matérias produzidas — que é relativamente grande — o foco e o tratamento têm alcançado um grande respeito do público. É um jornal segmentado, mas com uma linguagem acessível, com baixa tecnicidade”, explica Gino Genaro, diretor de Comunicação do SindCT.

Ele destaca ainda que “em matérias com teor de denúncia, o jornal tem aberto espaço para que todos os lados se manifestem”. Atualmente o jornal é distribuído no INPE, no (DCTA) e no Centro de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden), os três órgãos cujos servidores são representados pelo SindCT. É enviado às principais entidades sindicais e aos órgãos dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Versões digitais do jornal estão disponíveis no sítio do SindCT, em HTML e PDF, com acesso livre e gratuito a todas as suas edições integrais.

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