Acordo ITA-UEMA expande formação de quadros pós-graduados

PARCERIA PODE FAZER DO NORDESTE UM NOVO CENTRO DE REFERÊNCIA DO SETOR ESPACIAL BRASILEIRO

Antonio Biondi e
Cristina Charão

Convênio firmado entre a Universidade Estadual do Maranhão e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica prevê criação de cursos de pósgraduação na área aeroespacial, com forte vinculação ao Centro de Lançamento de Alcântara. Uma parceria entre a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA) pode fazer surgir no Nordeste um novo centro de referência de formação tecnológica e produção científica na área aeroespacial.

Assinado em agosto, o Termo de Cooperação Técnica e Acadêmica entre as duas instituições prevê o intercâmbio de informações, troca de experiências e de conhecimentos técnicos e acadêmicos, mobilidade docente e outras atividades científicas na área da Engenharia de Computação com foco no setor aeroespacial.

A parceria será concretizada em duas etapas. A primeira é a oferta de uma turma especial do Curso de Mestrado Profissional em Engenharia de Computação e Sistemas da UEMA, com ênfase na área de Concentração em Computação Aplicada, na linha de pesquisa em Sistemas Computacionais aplicados à Engenharia Aeroespacial, cujas inscrições para seleção serão abertas nas próximas semanas.

“Já conseguimos fechar a oferta de 16 bolsas integrais com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Maranhão e estamos atrás de outras quatro bolsas para podermos oferecer o total de 20 vagas previstas”, explica Henrique Mariano, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Computação e Sistemas.

Na segunda etapa, deverá ser criado um curso específico de mestrado para a área Aeroespacial. Segundo Mariano, o projeto já foi apresentado à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação (MEC). Em ambas as iniciativas, haverá participação do corpo docente das duas instituições de ensino e pesquisa.

Na ocasião da assinatura do termo de cooperação, o reitor do ITA, Anderson Ribeiro Correia, lembrou que o instituto tem contribuído com as atividades do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), “estratégicas para o Comando da Aeronáutica e também para o país”, e afirmou que agora, com a parceria, “oferece um apoio muito importante para o desenvolvimento científico e profissional do Estado do Maranhão”. A reportagem do Jornal do SindCT buscou a Reitoria do ITA para realizar entrevista a respeito, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. 

Conexão com CLA

A criação dos cursos de pós-graduação é mais um passo para que o Centro de Lançamentos de Alcântara torne-se o ponto de partida de um projeto de desenvolvimento local que tem como núcleo a ciência e a tecnologia.

Os cursos de pós-graduação são elementos- chave para a criação de um Parque Tecnológico dedicado ao setor aeroespacial no Maranhão. “A ideia do mestrado profissional é formar recursos humanos para suprir as demandas do CLA e estimular a formação de uma cadeia produtiva que permita a prestação de serviços para a base”, define Mariano.

Ou seja, embora o primeiro resultado do curso deva ser oferecer mão de obra para trabalhar diretamente nas operações dentro do CLA, o objetivo é criar condições para que surjam no Maranhão empresas dedicadas à prestação de serviços nas áreas de engenharia e computação para o setor aeroespacial. “Hoje, todos estes serviços, seja de desenvolvimento ou de manutenção, têm de vir de São José dos Campos ou Campinas.

Ou seja, o objetivo aqui é tornar a região mais autônoma em termos de serviços tecnológicos aplicados ao setor aeroespacial”. O programa do mestrado profissional, diz ele, foi desenhado sob medida para as necessidades do CLA. Problemas reais do centro foram levantados pelos docentes e serão estudados durante as disciplinas.

O curso irá unir duas áreas que são transversais na Engenharia: a da computação e a aeroespacial. Agora, o foco recairá sobre as telecomunicações, processamento de sinais, reconhecimento de imagens, além é claro da área de instalações terrestres, como radares, comunicação e controle. “Nessa primeira etapa, não vamos entrar na área de foguetes. Isso está previsto para uma etapa posterior”, esclarece Mariano.

Novos temas

O coordenador do PPG da UEMA também espera que, no futuro, a universidade maranhense possa estar à frente de inovações tecnológicas e paute novos temas para a pesquisa, já que o deslocamento geográfico e também a conexão direta com a base de lançamento de foguetes deve trazer uma nova perspectiva para o setor.

Desta forma, o Maranhão se somaria aos esforços de retomada do Programa Espacial Brasileiro não apenas cedendo espaço físico para as instalações necessárias, mas igualmente como núcleo de formação e pesquisa. A iniciativa da UEMA e do ITA soma-se a outras já implementadas pelos governos federal e estadual na região. Em março, foi inaugurado o prédio definitivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) em Alcântara.

O governo estadual também criou o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA). A meta é abrir 23 unidades no Estado.

Compartilhe
Share this

testando