Ciência para ser vista

CAMPUS DA UNIFESP IMPULSIONA NOVO PARQUE

Cristina Charão

São José dos Campos ganha dois centros dedicados à difusão do conhecimento científico. Um deles funcionará em área ocupada durante 34 anos pelo São José Esporte Clube. Quando se fala em produção científica e desenvolvimento tecnológico no Brasil, especialmente no setor aeroespacial, uma cidade nunca deixa de ser citada: São José dos Campos. Todo o conhecimento que circula dentro das instituições de ensino e pesquisa que dão este status à cidade ganhará, em breve, mais dois espaços para serem compartilhados com a população. Mais especificamente, com as crianças e jovens, estudantes do Vale do Paraíba.

Até o fim do ano, o campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) deve abrir as primeiras exposições do Parque de Ciência e Tecnologia. E em meados de 2017 deverá ser inaugurado o Centro Integrado de Educação, um dos vários da Prefeitura de São José dos Campos que farão parte do Complexo Maestro Sérgio Weiss.

O Parque de Ciência e Tecnologia é uma iniciativa dos docentes do campus de São José dos Campos da Unifesp. Em 2013, preocupados com a ausência de um espaço voltado ao ensino de ciências na cidade, um grupo decidiu apresentar um projeto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para criar o centro.

“A maioria dos professores sentia falta de que, na cidade da ciência e tecnologia, houvesse uma estrutura voltada para a difusão científica”, comenta o diretor do campus, Luiz Leduíno. As estruturas do parque já foram construídas. Agora, professores e bolsistas trabalham na montagem dos experimentos que farão parte da exposição permanente. Serão atividades nas áreas de Física, Química, Matemática, Biologia e Engenharia — todas elas relacionadas aos cursos oferecidos pela universidade no campus local.

“Os professores do curso de Ciência da Computação desenvolveram experimentos em realidade virtual que serão o grande diferencial do parque e chamarão muita atenção”, acredita Leduíno. Para o diretor do campus, a criação de um centro de difusão científica dialoga com a história do município, mas principalmente ajuda a universidade a cumprir seu papel: “É um direito das pessoas entenderem como funcionam as tecnologias que estão na sua vida: um celular, um computador. A ‘alfabetização científica’ faz parte da cidadania”.

Centro municipal

O Centro de Ciências do Complexo Maestro Sérgio Weiss será mais um espaço dedicado a esta “alfabetização” tão especial quanto importante. Ele é apenas um dos vários equipamentos públicos que estão sendo construídos no espaço da Vila Industrial que, por 34 anos, esteve cedido, irregularmente, ao São José Esporte Clube.

Um acordo entre Prefeitura e clube permitiu que 70% do terreno de 74 mil metros quadrados, incluindo o antigo ginásio de esportes, tivessem novo destino. Agora, o Teatrão dará lugar, além do Centro de Ciências, a espaços de lazer e práticas de esportes, um Centro de Educação (incluindo uma creche para atender 400 crianças) e um Centro de Eventos, que será usado para atividades relacionadas à rede municipal de ensino e também alugado para terceiros, gerando renda que será destinada a um fundo a ser investido na educação do município.

No espaço dedicado às atividades de difusão científica, serão construídos quatro laboratórios de ciências, um herbário dedicado ao cultivo de espécies nativas da região e um museu com exposições permanentes e temporárias que devem abranger todas as áreas: biológicas, exatas e humanas. As atividades oferecidas serão realizadas pela Secretaria Municipal de Educação e pelas instituições de ensino superior e de pesquisa instaladas em São José dos Campos: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Tecnológico deAeronáutica (ITA), Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e a própria Unifesp.

“São parcerias para fazer esta ponte entre a universidade e a educação básica”, afirma o secretário municipal de Educação, Luiz Carlos de Lima. O Centro de Ciências também contará com um planetário e uma torre para a instalação de um observatório astronômico. “O planetário, além de permitir a observação do universo e seu uso para a disseminação dos conhecimentos da astronomia, também poderá ser usado para outras projeções de interesse educativo e cultural”, explica Lima.

Para ver o céu

A população de São José dos Campos e Vale do Paraíba já conta com três observatórios astronômicos:

Miniobservatório Astronômico do INPE

Inaugurado em 2003, é vinculado ao projeto “Telescópios na Escola”, cujo objetivo é estabelecer no país uma rede de observatórios astronômicos que possam ser operados remotamente por estudantes de todos os níveis. Escolas podem agendar visitas presenciais. Contato: mini.das@inpe.br, (12) 3208-7209

Observatório da Univap

Promove eventos gratuitos e regulares de observação do céu. Acontecimentos — chuva de meteoros, eclipses, passagens de cometas — também podem ser acompanhados. Contato: http://www.univap.br/

Observatório Astronômico do IAE-DCTA

Aberto à visitação às terças-feiras a partir das 19h (com céu limpo). Visitas escolares ou de grupos podem ser agendadas. Contato: (12) 39474987/5246 www.iae. cta.br/observatorio

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