Síndrome do Pânico

João Batista de Oliveira*

“Eu senti meu coração acelerado, como se faltasse ar, uma pressão na cabeça, meu corpo tremia, tive dor no peito e fraqueza nas pernas. Cheguei ao hospital achando que iria morrer. Pouco depois passou e é como se não tivesse tido nada” Esse é um típico quadro de atendimento hospitalar em que toda a família chega gritando, querendo atendimento urgente, pois o parente está morrendo — porém, minutos após, o desespero vai embora e “milagrosamente o paciente está curado”, ainda que possa não ter sido usado nenhum tratamento medicamentoso.

O transtorno do pânico é um distúrbio de ansiedade que leva a crises de medo e desespero, que ocorrem em ataques inesperados, durante 10 a 20 minutos em média. Pode ocorrer em qualquer idade, porém com uma predominância maior em mulheres entre 18 e 35 anos. A pessoa apresenta palpitação ou coração acelerado, falta de ar, pressão na cabeça, ondas de calor ou frio, tonturas, tremores, fraqueza nas pernas, sensação de que vai morrer de asfixia ou de desmaio, dor ou desconforto no peito, náuseas ou dor abdominal, medo de enlouquecer, adormecimentos ou formigamentos.

Psicoterapia

Também pode ter medo de fazer as atividades mais simples como tomar banho (por medo de morrer afogada), medo de sair de casa, de estar entre pessoas, de estar em lugares fechados. O tratamento médico com o uso de medicamentos é essencial para que o paciente tenha tranqüilidade, organize seus pensamentos e emoções e possa — com a ajuda da psicoterapia — identificar e corrigir os fatores determinantes ou agravantes.

O não tratamento adequado pode levar a uma pior qualidade de vida, podendo ainda haver evolução para a depressão. Há ainda o risco de dependência química, especialmente do álcool já que este funciona como um inibidor temporário da ansiedade. Ainda que o tratamento médico seja importante, a psicoterapia é imprescindível. *O autor é médico.

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