SMD a todo vapor para entregar sistemas e dispositivos do CBERS-4A e Amazônia-1

DEDICAÇÃO COMPENSA FALTA DE PESSOAL, MAS CENÁRIO TENDE A SE AGRAVAR

Shirley Marciano

Todo satélite é constituído por uma estrutura formada por placas, sistemas e dispositivos mecânicos específicos. Por essa razão, é preciso que essas peças sejam projetadas e fabricadas exclusivamente para atender cada objetivo. O setor responsável por esse trabalho entrega vários conjuntos, porque são realizados pelo menos três tipos de testes com o satélite integrado ou simuladamente montado: o elétrico, o térmico e o de voo.

No elétrico praticamente só haverá uma carcaça do satélite, mas nos testes térmicos e de voo todos os componentes precisam estar presentes. Na maioria dos casos, o material utilizado nessa estrutura é o alumínio aeronáutico, matéria-prima que consiste de uma liga mais leve, mais dura e mais resistente aos extremos de temperatura.

Todo esse processo de engenharia mecânica no desenvolvimento de projeto, usinagem (torneamento, fresagem, retífica e ajustagem) e soldagem elétrica é realizado pela equipe do Setor de Manufatura e Desenho (SMD), vinculada à Coordenação-Geral de Engenharia (ETE) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A SMD atende a todas as demandas do instituto, mas em especial às da ETE.

No momento, os carros-chefe são os satélites CBERS-4A e o Amazônia-1, além do Mirax, um satélite científico. Os pedidos chegam à SMD já com as especificações técnicas, e suas equipes encarregam-se de elaborar o projeto, o desenho e a fabricação. Para o Amazônia-1, por exemplo, já estão trabalhando no modelo de voo. O ritmo de trabalho é intenso: a equipe não parou um minuto sequer enquanto a reportagem esteve no local.

Ritmo acelerado

Por intermédio dos computadores são previamente realizadas as programações de corte das peças, linha por linha. Assim, é feita uma simulação virtual. Se estiver tudo correto, é enviado a uma das três máquinas, que deve cumprir a referida missão. Os desenhos com os respectivos comandos são enviados para computadores ligados às máquinas, que são operadas por especialistas.

“Estamos num ritmo bem acelerado. Só para se ter uma ideia, temos de entregar cerca de 500 roscas postiças para o CBERS- -4A num tempo exíguo. Ou seja, o volume de trabalho é grande e contamos com uma equipe bastante reduzida. São 18 pessoas, sendo que somente sete são do INPE, porque as demais são bolsistas”, explica Laércio Siqueira, chefe do SMD. De acordo com ele, o grupo, que inclui os bolsistas, é muito unido, comprometido e trabalha com notável força de vontade, mas tende a tornar-se ainda menor nos próximos meses.

No final de 2016 a SMD deverá perder seu único soldador, por aposentadoria. “Não é qualquer soldador. Temos aqui profissionais com treinamento específico para a área espacial. As soldas têm uma precisão absolutamente fina, porque as fazemos para vácuo, por exemplo, e isso significa que qualquer microfuro pode causar problema”, conta. O problema é ainda mais grave: “Hoje, se não tivéssemos mecânico bolsista, não daria para fazer o trabalho”.

Reservatórios

Como mencionado, o SMD também atende demandas de outras coordenações. É o caso dos projetos sob a responsabilidade da Coordenação de Observação da Terra (OBT). “Aqui projetamos e fabricamos plataformas de monitoramento dos reservatórios brasileiros, como os de Furnas, Mamirauá, Itaipú, Funil e muitos outros, através do projeto Sistema Integrado de Monitoramento Ambiental (SIMA)”, explica Geraldo Orlando Mendes, único soldador especializado do SMD.

O SIMA vale-se de plataformas flutuantes ancoradas, nas quais são instalados sensores meteorológicos e de qualidade da água. Um sistema eletrônico realiza o controle, o armazenamento e a transmissão via satélite (CBERS, SCD e NOAA) das informações.

Numa torre instalada no centro das plataformas são afixados os painéis solares para carregar baterias, sensores meteorológicos e antena para transmissão dos dados. No vão central, um compartimento abriga a eletrônica do sistema, baterias e transmissor de satélite. A equipe da SMD relata a necessidade de fazer manutenção preventiva e também corretiva das diversas máquinas da oficina mecânica. De acordo com eles, algumas estão com “vícios” e, por essa razão, exigem vigilância maior de quem opera e conhece tais problemas.

Caso contrário, acabam executando o trabalho com falhas. “Temos dispositivos com ranhuras muito finas, com espessura equivalente a um fio de cabelo, então qualquer imprecisão de uma máquina pode exigir um retrabalho. Além disso, o alumínio exige, além de uma capacitação profissional maior, máquinas muito bem ajustadas, principalmente para peças menores que precisam ser transformadas em formatos mais detalhados”, explica Laércio.

Outra questão levantada pelo setor é a necessidade da compra de uma máquina que funciona sobre cinco eixos, em substituição de uma com três, de forma a modernizar a atividade no que tange à qualidade e à velocidade de fabricação. Veja mais detalhes:

http://jornaldosindct. sindct.org.br/index. php?q=node/282.

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