Raupp quer unir INPE à AEB

INCERTEZAS sobre o futuro do Instituto da cidade de São José e o nosso

Presidente da AEB não forneceu detalhes quanto à forma jurídica do “novo” INPE, nem quanto ao papel reservado ao INPE e ao IAE

O SindCT convidou o presidente da AEB, Marco Antonio Raupp, para um debate com a comunidade sobre o futuro do Programa Espacial Brasileiro (PEB), em 20 de junho, no auditório do Laboratório de Integração e Testes - LIT, do INPE.

Como ocorrido em maio, quando o SindCT realizou um debate sobre o tema com a participação de seis especialistas do INPE e DCTA, a comunidade do INPE e DCTA lotou o auditório do LIT/INPE, demonstrando sua preocupação com o futuro ainda incerto do PEB.

Raupp fez uma exposição de suas propostas para a reestruturação financeira e administrativa do programa espacial. Demonstrou o interesse, já conhecido e divulgado pelo SindCT, de aumentar a participação da indústria privada no Programa Espacial. “A participação da indústria é algo que deve ser ampliado”.

Falou também sobre a necessidade de “capacitar a indústria para o desenvolvimento de satélites e para a inovação”, mas não disse como se daria essa participação, quais seriam os limites da indústria dentro do PEB.

O presidente da AEB disse que irá pleitear de imediato, junto ao governo, a contratação via concurso público (Regime Jurídico Único) de 700 servidores para o DCTA, 400 para o INPE e 40 para a AEB.

Porém sua principal proposta consiste na “fusão” do INPE e da AEB em um único órgão, onde o INPE passaria a acumular as funções de instituto de pesquisa e de agência espacial, nos moldes da Nasa (agência americana). Raupp não forneceu detalhes dessa união.

Fica a dúvida quanto à forma jurídica do “novo” INPE (autarquia ou órgão da administração direta?). Onde estariam locadas as atuais coordenações do instituto, o futuro papel reservado ao INPE e ao IAE?

Conselho Nacional de Política Espacial

Raupp propôs a criação do Conselho Nacional de Política Espacial, presidido pela Presidência da República, com a participação dos Ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Planejamento, SBPC, CNA, CNI, ABC.

Ele não mencionou a participação da comunidade científica do DCTA e INPE e, quando solicitada pela plateia a inclusão do SindCT, pediu que fosse encaminhado um ofício da sugestão à AEB, sem dizer se a aceitaria.

Há um consenso por todos que participaram dos debates promovidos pelo SindCT e da audiência pública na Câmara dos Deputados que “do jeito que a coisa está, não pode ficar”, pois o programa espacial estaria fadado a morrer por inanição de recursos orçamentários e humanos.

O Brasil precisa garantir sua ida ao espaço

Um dos principais objetivos do Programa Espacial Brasileiro, hoje, é construir e lançar nosso satélite geoestacionário, que daria ao país o controle sobre informações de meteorologia, telecomunicações e tráfego aéreo. Mas, para colocá-lo no espaço, carece de ter o foguete lançador.

Por Jaime Sautchuk*

Para jogar no espaço seu VLS, o Brasil vem enfrentando sérios problemas, com pressões que vêm principalmente dos EUA. (...) Colocá-lo no espaço requer a tecnologia do foguete, que o Brasil tem capacidade de construir, como já o fez, com parceria com algum país que tope transferir tecnologia. (...) Para ter capacidade de lançamento, o Brasil fez um acordo com a Ucrânia, assinado pelo ex-presidente Lula.

Foi criada uma empresa binacional brasileiro-ucraniana denominada Alcantara Cyclone Space, que tem sede em Brasília e na Base de Alcântara, no Maranhão.

Esse é o caminho mais fácil para o Brasil encurtar o percurso para ter seu foguete de lançamento.

Há, no próprio governo brasileiro, quem discorde da parceria com a Ucrânia, em favor de uma abertura para o setor privado, que iria favorecer empresas dos EUA. (...)

Se na parte de lançamento o problema está desse tamanho, na produção do satélite geoestacionário o caso é ainda mais complexo. Não há chance de o Brasil, sozinho, produzir uma nave dessas em pelo menos uma década. Por isso, precisa de parcerias. A capacidade técnica do Brasil, incluindo empresas privadas do setor, vai até a parte de estrutura física da nave, o que inclui tecnologia de informação, mas o “cérebro” da máquina tem que ser comprado. O custo total de um satélite desse porte, com as especificações necessárias, é de mais ou menos US$ 1 bilhão.

E A SOBERANIA BRASILEIRA?

O Brasil nas telecomunicações
Há muitos anos o Brasil comprou o direito de uso da série de satélites Brasilsat, que é fabricado pela Hughes, norteamericana, em conjunto com a Spar, canadense.

A operação fica a cargo da Embratel, que era estatal brasileira, mas que foi privatizada no governo FHC e hoje pertence à Verizon Communication, norte-americana. Todos os sinais de rádio, TV, telefonia, internet passam por ali.

O Brasil na meteorologia

Usamos as informações do GOES, também norteamericano.

É bem-informado, com dados acurados, mas manipulável. Foi um satélite desse sistema que mudou de localização no espaço na guerra das Malvinas, entre a Grã- Bretanha e a Argentina, colocando em parafuso os dados meteorológicos na região, inclusive no Brasil.

Foi uma decisão do governo dos EUA, que colocou em operação seu sistema global, operado pela NASA, com empresas privadas como Hughes, Lockheed e Boeing, principalmente.

O Brasil no tráfego aéreo

Quase todo tráfego aéreo é controlado por torres terrestres. Em regiões no Norte da Amazônia brasileira, os pilotos recorrem ao GPS, também sob controle da NASA.

*Jornalista, membro da equipe de matérias especiais do portal Vermelho.

Texto na íntegra: http://www.vermelho. org.br/noticia.php?id_noticia=157274&id_secao=10

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