Amazonia-1 pode ser lançado em 2018, mas ainda falta contrato com lançador

É PRECISO ENCOMENDAR ATÉ DEZEMBRO DE 2016

Shirley Marciano

O projeto avançou neste ano, porque foi superado o impasse com a Mectron(do grupo Odebrecht). Após a saída da empresa por vias judiciais, a AEB definiu que a Potência e a TT&C, que dependiam dela, seriam compradas prontas da indústria. O satélite Amazonia-1, baseado sob uma Plataforma Multimissão (PMM), é o primeiro satélite inteiramente brasileiro estabilizado em três eixos.

Isso significa maior autonomia para movimentar o satélite em órbita, através de comandos em solo. A previsão é de que seja lançado em 2018, conforme um cronograma bastante otimista, elaborado por seus responsáveis. A equipe que trabalha neste satélite enfrentará grandes desafios, entre os quais a contratação do lançador, que tem que ser encomendado até dezembro de 2016, porque é necessária uma antecedência mínima de dois anos. Ainda não há recurso disponibilizado para essa finalidade.

O lado positivo é que o projeto avançou no último ano, porque foi superado o impasse com a empresa Mectron- Odebrecht, integrante do consórcio contratado, do qual também faziam parte outras duas empresas: Fibraforte e Cenic. Ambas já entregaram os subsistemas que lhes cabia produzir.

Após a saída da Mectron, que se deu por vias judiciais, a Agência Espacial Brasileira (AEB) definiu que as partes que dependiam desta empresa — Potência e Telemetria e Telecomando (TT&C) — seriam compradas prontas da indústria, e não mais desenvolvidas, para evitar mais atraso. Em 2014, o Tribunal de Contas da União (TCU) orientou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a AEB a realizarem a compra por intermédio da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate). Ela já finalizou o pregão e contratou, utilizando uma empresa intermediária.

Os primeiros modelos da Potência e da TT&C serão entregues daqui a dez meses. A PMM começou a ser desenvolvida em 2001, mas não havia uma missão definida para ela, explica Adenílson Roberto da Silva, gerente do Amazonia-1. “Somente em 2008 decidiu- -se por desenvolver um satélite, utilizando a PMM. É muito comum a confusão de acharem que o Amazonia-1 está sendo feito desde 2001. Isso não é verdade. Mas é correto afirmar que quando se trata de desenvolvimento, como é o caso do Amazonia-1 e da PMM, utilize-se um tempo maior. Mas, depois de dominada a tecnologia, fica extremamente mais rápido para fazer um novo modelo”, esclarece. 

Salto tecnológico

O Amazônia-1, se concluído com sucesso, trará ao Brasil um salto tecnológico importante, garante Adenílson. A PMM, por exemplo, poderá ser usada em outros projetos, o que otimiza tempo e verbas para qualificação. O ACDH, que é o sistema de controle do satélite, também é um avanço significativo. Adquirido em 2011 da INVAP, empresa estatal argentina, no acordo de compra constou transferência de tecnologia. “Posso afirmar que esse conhecimento foi absorvido em quase 100%. Nós temos o projeto e podemos mandar fazer outros, se quisermos”, diz.

No Programa Sino-Brasileiro para Recursos Terrestres, o CBERS, o ACDH ficou a cargo da China. Nos Satélites de Coleta de Dados, SCD 1 e 2, ambos lançados nos anos 1990, não havia essa tecnologia porque sua estabilização se dá por um sistema bem mais simples, o chamado Spin (rotação contínua no próprio eixo). Outro avanço é com a parte de cablagem espacial, que nunca foi realizada pelo Brasil neste nível de complexidade. “Além dos subsistemas, um outro ganho importante será na parte de Tomada de Decisão, que é o estabelecimento prévio de uma lógica para solução de problemas, que são acionados, via controle em solo, para consertar algo no satélite em órbita.

Outra oportunidade diz respeito a integração e teste, que serão inteiramente realizados aqui mesmo no INPE”, ressalta Adenílson. “Estamos bastante otimistas e vamos fazer de tudo para que possamos conseguir finalmente lançar o Amazonia- 1. O pessoal está empenhado e trabalhando bastante”, acrescenta Amauri Montes, coordenador-geral da Engenharia do INPE.

Cronograma do Amazonia-1, incluída a PMM

SADA. Controla o posicionamento do Painel Solar. Poderá ser necessário recondicioná-lo. Previsão: entrega do relatório da empresa até o final de junho de 2016.

ACDH. Foram adquiridos da Argentina dois modelos de voo completos. O contrato com a INVAP encerra-se em julho de 2016. Lançador. Tem que ser contratado com dois anos de antecedência, isto é: até dezembro de 2016.

Cablagem. Término da fabricação da cablagem espacial. Esse processo ficou parado porque dependia da Potência. Previsão: dezembro/2016. AWDT. É o transmissor de dados da carga útil. Previsão: término do contrato em abril de 2017. Potência. Previsão: primeiros modelos serão recebidos em abril de 2017. DC/DC. Haverá um retrabalho para adaptação das Potências.

TT&C. Previsão: primeiros modelos serão recebidos em abril de 2017. Teste do modelo elétrico. Depende da cablagem. Previsão: até agosto de 2017.

CDR. Revisão Crítica do Projeto. Previsão: outubro de 2017. Testes Ambientais. Simulações de vibração no momento do lançamento e das condições espaciais. Previsão: junho de 2018.

WFI. Pretendia-se produzir uma versão mais avançada da câmera WFI, mas resolveu-se usar o mesmo modelo do CBERS. Precisará ser adquirida uma interface da WFI com o satélite, que é o chamado RTU. Sem previsão.

Baterias. As baterias deverão ser substituídas, mas serão adquiridas por último. Integração. Previsão: começa em novembro de 2017 e deve durar de 8 a 9 meses. FRR.

Revisão final. Previsão: agosto de 2018. Lançamento. Previsão: Dezembro de 2018

 

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