SindCT vai a Brasília debater com deputados

AMEAÇAS ao Programa Espacial Brasileiro

Conforme o SindCT vem denunciando através do boletim “Rapidinha”, o Programa Espacial Brasileiro (PEB) corre o risco de ser controlado por empresas privadas.

A “promessa” de terceirização parte do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, exdiretor do INPE, do Parque Tecnológico de São José dos Campos e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Em inúmeras oportunidades, Raupp declarou ser necessária a participação da indústria no Programa Espacial Brasileiro, seja para a produção de sistemas completos, ou como gestora de projetos hoje comandados pelo INPE e DCTA.

SindCT em alerta

Alertado pelo SindCT sobre os riscos que sofrem as duas instituições (DCTA e INPE) em São José dos Campos, o deputado Federal Carlinhos Almeida (PT) solicitou uma Audiência Pública sobre o Programa Espacial Brasileiro na Comissão de Ciência e Tecnologia, da Câmara dos Deputados.

O deputado Carlinhos afirmou reconhecer “a importância do Programa Espacial Brasileiro para o país e o avanço tecnológico que o Programa traz para o Brasil”.

A audiência foi realizada no dia 14 de junho, com Gilberto Câmara (diretor do INPE), brigadeiro Aílton Pohlmann (comandante do DCTA), Marco Antonio Raupp (presidente da AEB), Roberto Amaral (ex-ministro da Ciência e Tecnologia) e Fernando Morais (presidente do SindCT).

O diretor do INPE, Gilberto Câmara, ateve-se em ressaltar a importância do INPE no Programa Espacial e como o instituto pode suprir as demandas do governo e da sociedade por vários serviços.

Os brigadeiros do DCTA Pohlmann e Francisco Carlos Melo Pantoja apresentaram, por sua vez, o muito que se fez apesar de todas as limitações impostas ao setor, como a manutenção e aperfeiçoamento da infraestrutura de lançamentos, bem como o sucesso do foguete VSB-30, com onze unidades já comercializadas para o exterior, com 100% de sucesso nas missões.

Sobre as dificuldades enfrentadas, o brigadeiro Pantoja falou sobre os embargos sofridos pelo setor espacial, que atrapalham o desenvolvimento
das pesquisas.


Poucos recursos para o desenvolvimento do VLS

O ex-ministro da C&T, Roberto Amaral fez duras críticas ao atraso do Programa Espacial Brasileiro em relação aos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e aos baixos investimentos no setor.

Amaral lembrou do acidente que vitimou 21 servidores do DCTA, no ano de 2003, em Alcântara. Apresentou os poucos recursos para o desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) como uma das causas do ocorrido.

Ressaltou que o Programa Espacial Brasileiro não está sendo tratado como política estratégica pelo governo.

O ex-ministro falou ainda sobre a falta de recursos humanos para o setor e a falta de concursos para a contratação de novos servidores. Marco Antonio Raupp apresentou um balanço dos 50 anos de atividades espaciais no Brasil que, segundo ele, é marcado pelo atraso nos cronogramas dos programas e no pequeno número de produtos já desenvolvidos (VSB- 30, dois satélites SCD e três CBERS, além da infraestrutura de lançamento e de rastreio de satélites).

Criticou a falta de recursos orçamentários e de recursos humanos para o setor. E, em mais de uma oportunidade, falou sobre a criação de empresas integradoras, abrir novas oportunidades de trabalho e emprego (não esclarecendo se público ou privado) e a participação da indústria no setor espacial.

Roberto Amaral fez um contraponto às falas que o antecederam. Ressaltou os grandes problemas que o PEB enfrenta atualmente, como o fato de o programa CBERS estar pela primeira vez sem gerar imagens da Terra.

Os CBERS 3&4 vêm tendo seus lançamentos adiados sucessivas vezes por dificuldades das empresas contratadas para a fabricação de seus subsistemas. Lembrou ainda a grave crise por que passa o desenvolvimento do VLS, cuja nova tentativa de lançamento ainda é incerta.


A resposta do SindCT

O presidente do SindCT, Fernando Morais, apresentou alguns boletins do SindCT mostrando a preocupação do sindicato com o rumo do Programa Espacial e alertando para possíveis mudanças que acarretariam no desmonte de centros do INPE e do DCTA.

Destacou a omissão dos sucessivos dirigentes e governos em se fazer do programa espacial uma VERDADEIRA POLÍTICA DE ESTADO, com recursos orçamentários e humanos.

Também destacou os vários produtos do DCTA e do INPE entregues à sociedade, e a importância de se discutir com a comunidade da área espacial as mudanças propostas pela AEB para a reorganização do PEB.

Os deputados presentes à audiência se comprometeram a visitar o INPE, o DCTA, as bases de Alcântara e Natal para conhecer de perto os problemas e retomar o debate.

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