Novo reitor do ITA fala em ampliar diálogo

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL E PÓS-GRADUAÇÃO FIGURAM ENTRE AS PRIORIDADES

Antonio Biondi

Escolhido pelo comando da FAB para dirigir o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Anderson Ribeiro Correia afirma que pretende, ao longo de sua gestão, “ouvir o público interno e conhecer as ideias dos servidores”. Nesta entrevista ao Jornal do SindCT, o professor Anderson Ribeiro Correia, novo reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), afirma a perspectiva de “ouvir mais o pessoal do Instituto”. Avalia que “todos serão beneficiados quando houver boa comunicação”, algo especialmente relevante no caso de uma instituição de características civis e militares como é o ITA.

O instituto chegou a oferecer 180 vagas em seu vestibular em 2014. Em 2016, porém, recuou para 140. Correia afirma que a redução ocorreu para adequar o número de alunos à capacidade atual do ITA: “Pretendemos trabalhar pela ampliação no número de vagas, mas mantendo a qualidade dos cursos”. A seguir os principais trechos da entrevista.

Chegada ao ITA

Sou engenheiro civil formado pela Unicamp. Depois, fiz mestrado em engenharia de infraestrutura aeronáutica no ITA. O ITA possui grande influência na Unicamp e vice-versa, existe uma ligação muito forte entre as duas instituições. Posteriormente, fiz o doutorado em engenharia de transportes no Canadá (na Universidade de Calgary). Me candidatei em seguida ao cargo de professor do ITA, pouco mais de onze anos atrás, e passei.

Depois, fui cedido por um período para a ANAC [Agência Nacional de Aviação Civil], e retornei para assumir a Pró- -Reitoria de Extensão e Cooperação do ITA. À época, o reitor era o Carlos Américo Pacheco.

Desafios da gestão

Em minha candidatura à Reitoria, destaquei cinco grandes metas, ou cinco grandes frentes prioritárias.

No ensino de graduação, creio que precisemos sempre buscar atualizá-lo, torná- -lo mais moderno, com um foco nos alunos e professores, e fortalecendo a integração internacional. Já nossa pós-graduação cresceu bastante, acredito que devamos focar na qualidade, não mais na quantidade. Alguns programas nossos contam com nota muito boa, outros menos.

As notas da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] vão de 3 a 7, temos alguns programas com nota 4 e nota 5. É preciso aprimorar os cursos, e para isso criamos um grupo de trabalho. De certa forma, iremos promover uma minirreforma na pós-graduação. Pretendemos focar na otimização da gestão administrativa, dos processos, competências. Ouvir mais o pessoal do Instituto, o público interno, conhecer as ideias dos servidores, caminhar no sentido da descentralização dos trabalhos.

Redução de vagas

Sou da área de transporte aéreo. Não posso colocar mais aviões na pista do que a capacidade do aeroporto, correto? Da mesma forma, colocar mais alunos sem ter a quantidade de professores correspondente gera prejuízo ao ensino, às atividades nos laboratórios, etc. Pretendemos trabalhar pela ampliação no número de vagas, mas mantendo a qualidade dos cursos — e assegurando a continuidade do sucesso do instituto, consolidado em 66 anos de história.

Acordos internacionais

Existem variados níveis de cooperação nesse campo. Alguns deles ocorrem somente por meio do intercâmbio envolvendo os professores. Em outros casos, é necessário o estabelecimento de acordos de cooperação. Possuímos alguns acordos muito importantes, por exemplo, na França. Neste ano, firmamos um novo com uma universidade de ponta da Holanda, com atuação expressiva na gestação de spinouts. Em Portugal, idem.

Na Suécia, possuímos um acordo com a melhor escola de engenharia deles. Esses acordos muitas vezes acabam gerando cooperação no âmbito industrial, como é o caso da Suécia, em que temos a cooperação entre as universidades e a cooperação entre a SAAB e a Embraer no que diz respeito à fabricação dos caças Gripen.

Embraer e ITA

As duas instituições possuem uma série de projetos de pesquisa conjuntos, em áreas como aerodinâmica, ruído, materiais compósitos, manufaturas avançadas. Além disso, existe o Programa de Especialização em Engenharia, com mais de 1.500 mestres formados pelo ITA junto à Embraer.

O PEE possui nota máxima na Capes e pode se tornar o primeiro doutorado profissionalizante do Brasil. O ITA foi o primeiro instituto criado no CTA, a partir de uma visão de que o Brasil devia ter autonomia no desenvolvimento tecnológico, que decorre do conhecimento produzido pelo país. Depois, vieram os outros institutos, a Embraer.

Dirigentes importantes dessas instituições foram formados aqui. Calculamos que cerca de 150 empresas do setor sejam comandadas por ex-alunos do ITA. O impacto do ITA no setor e na sociedade é muito grande, no passado e no presente.

Importância do setor

Trata-se de um setor estratégico, no qual cabe ao Estado investir de forma continua e planejada. Todos os países que o desenvolveram realizaram um apoio relevante da parte do Estado. Não se trata de um setor que anda sozinho.

Entre civis e militares

Sempre houve essa dualidade. O ITA foi criado para atender aos interesses da aviação do Brasil em geral e particularmente da Força Aérea (FA). Hoje, com todo o desenvolvimento da indústria aeroespacial, o ITA vai atender aos interesses dessa indústria do século 21, bem como aos interesses da Defesa, da FA. Cerca de 30% dos ex- -alunos do Instituto são militares da FA.

Também existem cursos de pós-graduação voltados aos militares da FA, do Exército, da Marinha. A FA acompanha os trabalhos, as pesquisas, os projetos com as indústrias. Civis, militares, integrantes do governo, representantes das indústrias, pesquisadores, acadêmicos, todos convivem no mesmo espaço. Esse convívio sempre vai acontecer, essa ligação entre um e outro, vai haver uma complementaridade. Essa integração civil e militar se dá inclusive nos outros países. E acaba sendo positiva, transformadora.

CPOR x estudantes

Todos serão beneficiados quando houver boa comunicação. Nesse caso, foram feitas reuniões, debates para aparar as arestas e para resolver as questões. Foi tudo bem encaminhado. Quando eu assumi, os alunos já estavam em aula, tendo concluído o período.

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