Ninguém sabe para onde vai a revolta de milhões de europeus

A EUROPA está fervendo

Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Irlanda e agora até a pacata Bélgica estão sendo palcos de uma indignação crescente dos trabalhadores e da população mais pobre.

Por Claudia Santiago

“Indignados” contra quem? A palavra mais falada, nas ruas e praças destes países é Fundo Monetário Internacional, o malfadado FMI. Sim, o mesmo que, em 1989, impôs o famoso Consenso de Washinghton a todos os países da América Latina. É contra a política imposta aos vários países europeus pela mesma instituição e pelo Banco Central Europeu, orquestrado pela Alemanha, que centenas de milhares de “indignados” estão mostrando sua revolta.

O que é esta indignação?

De onde vem?

Em todos estes países, há traços comuns: forte desemprego, que chega até os 40% entre os jovens de até 30 anos e a piora geral das condições de vida. A velha ideia de “Estado de bem-estar social” já vai longe!

As políticas neoliberais destruíram a fantasia de uma Europa feliz, com todo mundo gozando um mês de férias nos Caribes ou nas ilhas Seichelles.

Hoje, a saúde, os transportes, a educação, a cultura, outrora serviços públicos universais e gratuitos são reservados a quem puder pagar por eles.

Para quem não pode pagar, sobra morar na casa dos pais até mais de 30 anos e depender destes para sobreviver.

Essa é a mola que leva centenas de milhares de jovens, mas não só, em Barcelona, Madrid, Paris, Dublin e Atenas a se indignar, se revoltar e procurar desesperadamente uma saída neste beco sem saída.

Até na Itália do magnata e mágico prestidigitador Berlusconi, os trabalhadores estão abrindo os olhos.

No final de maio, elegeram um administrador de esquerda na maior cidade da República, em Milão. Quem sabe a indignação não se espalhe até por lá.

A esquerda, com seus partidos e sindicatos está patinando, sem conseguir se apresentar como alternativa. Mas o exemplo de Milão pode ensinar caminhos que se achavam perdidos.

Outros serão traçados sob pressão dos fatos. Enquanto isso, a indignação continuará crescendo.

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