Novo código florestal: um debate a ser feito

BRASIL: Maio de 2011, um mês que entrou para a história

Em maio de 2011 ocorreram alguns fatos que exigem grande reflexão: aprovação do novo Código Florestal pela Câmara dos Deputados e assassinato de quatro militantes da causa ambiental e da Reforma Agrária, na Região Amazônica.

Por Claudia Santiago

O novo Código Florestal brasileiro, aprovado na Câmara dos Deputados, é polêmico.

Seus defensores afirmam que ele é essencial para o desenvolvimento econômico do país.

Os que o rejeitam, dentre estes oito ex-ministros do Meio Ambiente, afirmam que o novo código está na contramão da história e em detrimento de nosso capital natural, as florestas, e a serviço do agronegócio.

O artigo mais criticado do novo código é o que concede anistia para os desmatadores.

“Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos e o tempo futuro”, disse em artigo o cientista Aziz Ab’Saber.

Assassinato de ambientalistas

No dia 24 de maio de 2011, foram assassinados José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assentados no Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, em Nova Ipixuna – PA, onde vivem 500 famílias.

Foram vítimas de uma emboscada e executados com tiros na cabeça. Eles eram integrantes do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes. Sobreviviam do extrativismo de óleos, castanhas e frutos de plantas nativas, como cupuaçu e açaí.

Na sexta-feira, dia 27 de maio, o agricultor Adelino Ramos, de 56 anos, foi assassinado em Vista Alegre do Abunã, um distrito de Porto Velho, em Rondônia. Segundo a CPT, Ramos vinha sendo ameaçado há algum tempo por madeireiros da região.

Ele era um dos sobreviventes do Massacre de Corumbiara, ocorrido em 1995, em Rondônia, e integrava o Movimento Camponês de Corumbiara. Para finalizar o mês de maio, mais um agricultor foi morto no Pará.

A quarta morte em uma semana. O corpo foi encontrado no sábado, dia 28, na mesma área onde morreram José Claudio e Maria do Espírito Santo.

Erenilto Pereira dos Santos, de 25 anos, levou um tiro na cabeça. Ele seria uma das testemunhas que eles. Para quem não pode pagar, sobra morar na casa dos pais até mais de 30 anos e depender destes para sobreviver.

Essa é a mola que leva centenas de milhares de jovens, mas não só, em Barcelona, Madrid, Paris, Dublin e Atenas a se indignar, se revoltar e procurar desesperadamente uma saída neste beco sem saída.

Até na Itália do magnata e mágico prestidigitador Berlusconi, os trabalhadores estão abrindo os olhos.

No final de viram os suspeitos de matar o casal de ambientalistas.

Segundo a CPT nos últimos 25 anos 1614 pessoas foram assassinadas no Brasil em virtude dos conflitos por terras.

Destes casos, somente 91 casos foram julgados e resultaram na condenação de 21 mandantes e 72 executores.

Os demais estão livres e impunes. A pergunta que se faz neste momento é: até quando?

Compartilhe
Share this

testando