Salários e corte de verbas podem levar a Unifesp de São José dos Campos à greve

ENSINO SUPERIOR

Antonio Biondi

Professores do Instituto de Ciência e Tecnologia de São José dos Campos, órgão da Universidade Federal de São Paulo, decidiram aderir, em 25/5, à greve nacional dos docentes federais por salários e melhor carreira. Ajuste fiscal é agravante.

 

Reunidos em assembleia no dia 25 de maio, os docentes do campus da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) de São José dos Campos decidiram, por ampla maioria, entrar em greve. Em assembleias dos docentes de todos os campi da universidade realizadas em 28 de maio, foi aprovado indicativo de greve para 11 de junho, dentro do cenário de greve geral indicada pelo Andes-Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior.

 

A paralisação já atinge diversas universidades federais. “O risco de greve decorre principalmente da situação de trabalho dos professores da instituição”, diz Raul Bonne, presidente da Associação dos Docentes (Adunifesp). A situação se agravou com os cortes promovidos pelo “ajuste fiscal” do governo federal, que “está deteriorando as condições de trabalho”, como destaca Bonne.

 

Além de reajuste salarial, os professores reivindicam a reestruturação da carreira, com o estabelecimento de um novo plano de carreira. “Foram as duas principais questões da greve de 2012, e não foram atendidas, de modo que existe o risco de haver uma nova greve já em 2015”, explica o presidente da Adunifesp. De acordo com ele, “em 2015 os professores estão apresentando um posicionamento mais crítico que o de 2012, e estão muito mobilizados e interessados”.

 

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de 12 de maio, a Unifesp possuía R$ 7,5 milhões de contas em atraso no ano, reflexo do ajuste fiscal. Nos dois primeiros meses de 2015, o governo federal repassou às universidades apenas 1/18 avos do orçamento de custeio do ano passado.

 

Nos meses seguintes, após pressão dos reitores, o governo voltou a liberar 1/12 avos, que é a parcela normalmente repassada. O Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), sediado no campus de São José dos Campos, informa no seu site que está recebendo R$ 330 mil por mês, para uma despesa acima de R$ 485 mil, ou seja: 32% a menos que o necessário para manter serviços essenciais.

 

Vários contratos estão deixando de ser celebrados ou renovados, incluindo-se a manutenção de elevadores, tratamento de água e esgoto, gerador e ar condicionado. O ICT oferece sete cursos de graduação e cinco de pós-graduação, para cerca de 1.300 alunos. Luiz Leduíno Neto, diretor do instituto, explica que a dívida do campus chegou a R$ 625 mil em 20 de maio.

 

“Essa é a dívida de hoje, amanhã o valor é outro. É muito grande, e não temos como equalizar”. Leduíno, que ingressou na Unifesp de São José dos Campos no primeiro grupo de concursados, em fevereiro de 2008, afirma que nunca haviam enfrentado dificuldades desse gênero: “O financiamento sempre foi muito bom”. Em razão dos cortes e da dívida, já foram dispensados 26 funcionários contratados nas áreas de manutenção, limpeza, vigilância e motoristas. “Isso produz sucateamento do patrimônio público, menor segurança e salas menos limpas.

 

Estamos contando com a sorte para que o governo, que tem se mostrado muito insensível aos problemas, reveja sua posição”. De acordo com o diretor, “existe uma pressão muito grande para não explicitar a situação à sociedade, mas estamos trazendo a público, temos um apoio muito grande da comunidade”. A Reitoria da Unifesp negou à imprensa cortes ou a suspensão de serviços.

 

 

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