Aloysio desmascara a privatização

SUGESTÃO DE LEITURA

Pedro Pomar

 

 “Aloysio Biondi foi um dos pioneiros do jornalismo investigativo no Brasil. Ainda mais importante: fez jornalismo investigativo no jornalismo de economia”, diz Jânio de Freitas, colunista da Folha de S. Paulo, sobre o autor de O Brasil Privatizado. Aloysio Biondi (1936-2000), autor de O Brasil Privatizado: um balanço do desmonte do Estado, foi um dos mais importantes jornalistas brasileiros. A edição original desse livro, que continha apenas o primeiro tomo, foi lançada pela Editora Fundação Perseu Abramo em 1999. Vinha à luz, assim, uma crítica contundente — e fundamentada — do processo de privatização das empresas estatais comandado por Fernando Henrique Cardoso e pelo PSDB. Em 2003 já haviam sido vendidos 130 mil exemplares dessa primeira edição de Brasil Privatizado.

 

O segundo tomo foi publicado em 2000, após a morte de Aloysio. Em 2014, a Geração Editorial lançou uma nova edição, que reúne os dois tomos e traz prefácio de Amaury Ribeiro Jr. e introdução de Jânio de Freitas, ambos também pesos-pesados do jornalismo brasileiro. Autor de A Privataria Tucana (2011), o premiadíssimo repórter Amaury Ribeiro Jr. revela que seus primeiros passos na elaboração dessa obra foram inspirados no trabalho de Aloysio. Para ele, esse colega “se diferenciava dos jornalistas alimentados no seio das elites, que se limitam a reproduzir, sob forma de matérias ou colunas, a antiga retórica do patronato e, por extensão, da cartilha do neoliberalismo e da política oficial do PSDB”.

 

Explica Jânio que, encerrado o regime militar, não houve mudança essencial na política econômica. Após a “Nova República”, teve início a fase neoliberal: “Um outro processo se iniciava no bojo do conservadorismo: a imprensa se faz porta-voz unânime do neoliberalismo. O jornalismo brasileiro de economia amolda-se, desde então, ao papel de guardião e propagador dos objetivos remanescentes da onda do neoliberalismo”.

 

Que o diga a Rede Globo. A seguir, dois trechos de Brasil Privatizado: Sobre desestatização das empresas de telefonia: “Em 1996 e 1997, já decidida a privatização, o governo investiu R$ 16 bilhões no sistema Telebras e, somente no primeiro semestre de 1998, às portas do leilão realizado em julho, mais R$ 5 bilhões. No total, R$ 21,5 bilhões, praticamente mais de duas vezes e meia (250%) os R$ 8,8 bilhões recebidos de entrada pela sua privatização” (p. 59). (Ou 97% do valor total da venda, a prazo, que foi de R$ 22,2 bilhões, como informa o livro. Todavia, ninguém foi preso.)

 

Sobre o governo FHC: “Em cinco anos, o governo Fernando Henrique Cardoso não destruiu apenas a economia nacional, tornando-a dependente do exterior. Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo. Para isso, e com a ajuda dos meios de comunicação, jogou o consumidor contra os empresários nacionais, ‛esses aproveitadores’; o contribuinte contra os funcionários públicos, ‛esses marajás’; o pobre contra os agricultores, ‛esses caloteiros’; a opinião pública contra os aposentados, ‛esses vagabundos’” (p. 130).

 

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