PEB em franca decadência

Esta edição destaca um paradoxo: de um lado o enorme potencial criativo do povo e de outro o descaso com a educação e com o desenvolvimento científico e tecnológico. Neste sentido, a assinatura do protocolo de acordo Brasil-China para a construção do satélite CBERS-4A contrasta com os descaminhos do Programa Espacial Brasileiro (PEB), que levaram ao prejuízo de centenas de milhões de reais na aventura da criação da Alcantara Cyclone Space (ACS), e refletem a falta de visão e ineficiência da Agência Espacial Brasileira (AEB) — à frente seu presidente, José Raimundo Braga Coelho — na condução do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

 

O PEB está em franca decadência. Recente pronunciamento do vice-diretor do DCTA na Câmara dos Deputados teria anunciado o fim do Projeto VLS para, em troca, concentrar esforços no Veículo Lançador de Microsatélites (VLM).

 

A direção do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) desmentiu; o vice-diretor do DCTA teria dito apenas que não interessa ao país investir em foguetes lançadores de satélites geoestacionários, categoria superior à do VLS. Seja como for, o Projeto VLS parece não sair do lugar e o ordenamento da “sopa de letrinhas” não avançará sem que seja estruturada uma política nacional de desenvolvimento aeroespacial que responda aos desafios proporcionados pelo tamanho do Brasil.

UbatubaSat

Continuaremos nanicos como nação, apesar da extensão territorial, se não educarmos as pessoas, se deixarmos continuar perderem- -se os talentos e sem perspectivas os jovens. Precisamos valorizar os professores, agentes da construção de um Brasil democrático, soberano, desenvolvido nos aspectos econômico, social e cultural. A matéria sobre o UbatubaSat expõe as possibilidades. Educação, arte e cultura constituem e constroem o patrimônio de um povo.

 

A arte do Mestre Lobão mistura história, tradição e manifestação lúdica: a Capoeira é a dança da arte marcial genuína brasileira. Saudamos a doutora Mirabel Rezende, uma das mais criativas e produtivas pesquisadoras do DCTA, que nos honra como fonte inspiradora da reportagem de fechamento desta edição.

 

A recente aposentadoria da brilhante colega aumenta as estatísticas da realidade do setor: quase a metade da força de trabalho atual se aposentará até 2020. A precarização abre flanco à terceirização e desfiguração dos institutos públicos de pesquisa.

 

A comunidade científica queda inerte desde 2012, por causa do acordo de reajuste plurianual do período 2013 a 2015. É preciso lutar pela preservação dos salários, mas é imperativo também defender a atividade científica e os institutos públicos de pesquisa.

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