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Novo governo, velhos desafios

No dia 1º de janeiro milhões de brasileiros assistiram, com um misto de orgulho e esperança, à posse de Dilma Rousseff Certamente nossa carreira ainda levará algum tempo para avaliar, com profundidade e distância, o que representaram os dois mandatos de Lula para as condições gerais de trabalho da categoria e para o avanço da Ciência e Tecnologia (C&T) em nosso País, após anos de descaso dos governos neoliberais que o antecederam.

Nesses oito anos vimos a área de Ciência e Tecnologia ser alçada a um novo patamar de importância dentro da estrutura do Estado. O setor de C&T teve mais recursos em seu orçamento, abertura de vagas para concursos públicos e, principalmente, recuperação e valorização salarial dos servidores ligados à carreira de C&T.

Os primeiros passos do novo governo No que diz respeito ao novo governo, pode-se dizer que, para a carreira de C&T, as primeiras movimentações foram positivas, com a indicação do novo ministro para a pasta.

Se, por um lado, a nomeação de Aloizio Mercadante para ministro da C&T representa a esperança de que a área será tratada com mais atenção e respeito, infelizmente o mesmo não pode ser dito em relação à área da Defesa, com a decisão de se manter no cargo o ministro Nelson Jobim. Um exemplo simples tivemos em janeiro. Enquanto o ministro de C&T optou por visitar as instalações do Inpe, o ministro da Defesa simplesmente ignorou o DCTA em visita a São José, preferindo seguir direto para as instalações do Parque Tecnológico da cidade.

O fato é simbólico, mas a verdade é que o atual ministro da Defesa tem agido muito mais como porta-voz dos comandos militares no governo do que como o responsável civil do governo pela área militar.

Basta lembrar sua posição em relação ao Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), na perseguição aos sargentos controladores de voo e no bloqueio às tentativas de se abrir os arquivos da ditadura.

A nossa luta continua

Uma análise preliminar aponta para avanços importantes nos oito anos de governo Lula, mas é preciso reconhecer que alguns pontos históricos da pauta de reivindicação da categoria seguem em aberto.

1) O Inpe e o DCTA sofrem de uma forte carência de pessoal.
Este é um problema comum à maioria dos órgãos ligados à carreira de C&T. É urgente a abertura de novas vagas para a realização de concurso público.

2) Quanto ao nosso reajuste salarial, tivemos mais de dois anos de idas e vindas a Brasília sem a efetiva abertura de negociações
junto ao
ministério do Planejamento (MPOG), para negociação de pendências relacionadas à campanha salarial de 2008.

3) Continua a não ser paga a Gratificação por Qualificação devida aos servidores de nível médio
que tenham concluído o curso de graduação (GQIII).

4) Continua a luta pela interposição da tabela salarial
entre servidores de nível médio no topo da carreira e os de nível superior no início da carreira, propiciando que aqueles tenham vencimentos maiores que estes. Trata-se de uma luta histórica da categoria que o governo recusa-se a negociar.

5) A saúde do trabalhador é objeto de nossas preocupações.
Estas abrangem o pagamento de adicional de periculosidade e insalubridade, alto índice de acidente no trabalho, dentre outras.

É por estas e por outras que este novo governo traz em seu bojo, além da esperança por um Brasil mais justo, a necessidade de continuarmos a lutar por nossos grandes e velhos desafios.

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