Cemaden debate na ONU soluções para redução de riscos de desastres naturais

DESLIZAMENTOS E ENCHENTES CAUSAM 90% DAS MORTES

Shirley Marciano

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) começou a operar em dezembro de 2011, em Cachoeira Paulista. Uma nova Sala de Situação passou a funcionar em 2014, no Parque Tecnológico de São José, após ingresso de 75 servidores. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), participou entre os dias 14 e 18 de março da 3ª Conferência Mundial da ONU para Redução de Riscos e Desastres, realizada em Sendai, no Japão.

Objetivo principal: a elaboração de um documento comum de cooperação internacional e estabelecimento de metas a serem alcançadas nos próximos 15 anos. Durante o evento, o Cemaden apresentou as estratégias do Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais (implantado pelo governo federal em 2012), que incluem prevenção, mapeamento das áreas de risco, monitoramento, alerta e resposta.

O pesquisador Carlos Nobre, diretor do Cemaden, lembrou que o impacto das secas intensas sobre a agricultura, abastecimento de água, irrigação e navegação afeta a maioria das pessoas no Brasil.

“No entanto”, ponderou ele, “o principal problema são os deslizamentos de terra e as enchentes, por serem mais letais, respondendo por mais de 90% das mortes provocadas pelos desastres naturais no Brasil”. Na 3ª Conferência Mundial a discussão se fechou com quatro prioridades de ação para a redução de riscos de desastres naturais: 1) a melhor compreensão do risco, 2) mais investimentos para a gestão desse risco, 3) preparação mais eficaz diante dos desastres e 4) incorporação do princípio de “reconstrução aprimorada” à recuperação, reabilitação e reconstrução.

Tragédia

O Cemaden foi criado em julho de 2011, pelo decreto presidencial 7.513, em resposta à terrível tragédia ocorrida na região serrana do Rio de Janeiro, quando morreram mais de 900 pessoas vitimadas por deslizamentos de terras e enxurradas decorrentes de fortes tempestades.

Outras 35 mil tiveram que abandonar suas casas devido ao risco iminente de ocorrência de mais deslizamentos ou desabamentos. A operação do centro começou em dezembro daquele ano, em instalações cedidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Cachoeira Paulista (SP). No primeiro semestre de 2014, sua sede passou a funcionar no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

Assim, uma nova Sala de Situação começou a operar em 29 de outubro, após o ingresso da nova equipe de 75 servidores efetivados por concurso público, consolidando a estrutura organizacional com as equipes de pesquisadores, tecnologistas e analistas.

Já foram emitidos mais de 3 mil alertas e há um monitoramento ininterrupto de áreas de risco de 888 municípios brasileiros, classificados como vulneráveis a desastres naturais, e onde vive, hoje, uma população estimada em 90 milhões de habitantes.

O Cemaden apoia-se em uma rede de observação composta por nove radares, 2.267 pluviômetros automáticos e 960 semiautomáticos, 115 estações hidrológicas e outros equipamentos.

“Os resultados das pesquisas e ferramentas desenvolvidas no centro e a disponibilidade de dados providos por sua rede e pelas redes de outras instituições federais e estaduais, somados à disponibilização de um grupo de profissionais com conhecimentos em meteorologia, geologia, hidrologia e desastres naturais, permitem o envio antecipado de alertas desses eventos para áreas localizadas em todas as regiões do território nacional”, conta Regina Alvalá, coordenadora institucional do Cemaden.

Parcerias

Para consolidar o Sistema Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden atua em parceria com várias instituições, de modo a implementar, consolidar e complementar a rede de instrumentos meteorológicos, hidrológicos e geotécnicos para monitoramento ambiental, completa o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador geral.

O Cemaden instalou em março deste ano pluviômetros semiautomáticos em três escolas estaduais nos municípios paulistas de Cunha, Ubatuba e São Luiz de Paraitinga, localizados na área de abrangência do Rio Paraibuna e seus afluentes, e considerados vulneráveis a desastres naturais.

Essa ação faz parte do Projeto Cemaden Educação. “É um projeto piloto voltado para as escolas de ensino médio, localizadas em municípios vulneráveis a desastres socioambientais, com o objetivo de desenvolver pesquisas de prevenção de desastres, produção de conhecimento, bem como a gestão participativa de intervenções nas comunidades locais”, explica Rachel Trajber, coordenadora do Cemaden Educação.

No acordo de cooperação entre os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), firmado em 18 de março, o Cemaden foi o órgão responsável dentro do MCTI para desenvolver os acordos e mecanismos de ciência, tecnologia e inovação para a cooperação multilateral em torno do tema desastres naturais entre os países que integram o BRICS.

Entre os instrumentos estratégicos propostos estão a criação de uma plataforma on-line para compartilhamento de informações sobre alterações climáticas, prevenção e mitigação de desastres naturais, além de intercâmbios de programas e bolsas para pesquisadores e estudantes.

 

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