PL 4.330 é um escândalo

É extremamente positiva a constatação de que o povo nas ruas influencia de forma impactante a condução dos rumos do país. Também é desejável um estado de alerta em torno de outros assuntos importantes, que interferem diretamente na vida das pessoas. As mobilizações não têm liderança, ou as têm ocultamente, camufladas num ambiente cibernético sem IP ou intenções.

O povo vai legitimamente às ruas, é preciso combater a corrupção. O problema é que as “lideranças” escondidas na virtualidade cibernética não chamam mobilizações também contra ataques aos direitos do trabalhador.

O PL 4.330 subtrai direitos dos trabalhadores, assim como as MP 664 e 665. O povo deveria estar nas ruas a reclamar destas proposições. O fato de não estar talvez seja indício de que a maior parte da população já viva a realidade da precarização das relações de trabalho.

Nos últimos quatro anos o país conseguiu criar mais de cinco milhões de empregos, impressionante desempenho comparado aos países do “Velho Mundo” em que grassa o desemprego. Entretanto, a qualidade do emprego caiu, perderam-se muitos postos de trabalho de salários maiores.

Vivem-se duas realidades: a da baixa taxa de desemprego dos trabalhadores com menor especialidade, em contraste com a sujeição daqueles de maior especialização aos baixos salários oferecidos; a outra opção é o desemprego. O desenvolvimento científico tecnológico é a grande aposta, que muitos países já fizeram, aliada a maciços investimentos em educação, como forma de alavancar o parque industrial. Não parece haver discórdia entre as várias correntes de orientação política a este respeito: esta é a saída.

Mas espere: as coisas não são tão simples assim! Tem a dívida, tem a saúde, a moradia, a segurança, os programas sociais, também a clamar por investimentos. Salvam a economia do país a agricultura, a mineração e algum outro nicho de produção que não interesse à economia de outros países mais desenvolvidos, que consideram os custos dos impactos ambientais. Atividades fisicamente mais desgastantes, mais nocivas à saúde e qualidade de vida das pessoas são relegadas aos povos do Terceiro Mundo.

Compreenda-se que as conquistas tecnológicas alcançadas à custa de investimentos subtraídos da cultura, do lazer, da saúde e bem estar de um povo não serão transmitidas gratuitamente a outro.

Enquanto não desenvolvermos nossas próprias tecnologias, não teremos muitas escolhas, mas submissão. Somos um povo explorado, subempregado, mal pago. A CLT é um dos poucos legados morais que regulamenta e protege minimamente o trabalhador.

O PL 4.330 é um escândalo, que submete o restante da população à exploração, leia a espetacular entrevista do professor Marcio Pochmann.

Isto vai acontecer se o povo não for para as ruas, se não reclamar. A matéria sobre as MPs 664 e 665, ao expor a baixa taxa de fraudes contra o sistema do seguro desemprego, expõe a cárie da argumentação da moralização. Ao lerem a matéria sobre a Petrobrás, vale refletir: trata-se da empresa que detém o maior conhecimento da tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas.

Outras que se aventuram acabam causando enormes desastres naturais como o do Golfo do México em 2010. Vamos cuidar que tem gente esperta e oportunista de olho grande no que é nosso. A Petrobrás é uma empresa bem sucedida, resultado do investimento do povo brasileiro.

 

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