Trabalhadores da GM ganham primeira batalha, mas ainda há risco de demissões

GREVE PARA MANTER EMPREGOS

Shirley Marciano

Multinacional colocou 798 trabalhadores em lay-off, mas baixou o número para 473 após a paralisação. Em Taubaté a Volks colocou 4.200 metalúrgicos em férias coletivas. Trabalhadores da General Motors (GM) de São José dos Campos foram colocados em lay-off no dia 9 de março e devem retornar ao trabalho em 8 agosto, com estabilidade de apenas 3 meses.

O lay-off é um período em que o trabalhador fica com o contrato suspenso e afastado da empresa, fazendo curso profissionalizante de capacitação pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que divide com a empresa o custeio do salário desse empregado durante esta fase. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, por meio de uma das maiores greves dos últimos 12 anos, conseguiu da multinacional um acordo para reduzir os impactos negativos do lay-off.

Inicialmente a montadora entregou uma lista contendo 798 funcionários que entrariam em lay-off, porém, após a greve, ela recuou e reduziu o número de trabalhadores envolvidos para 473, com estabilidade de emprego por mais três meses.

Luiz Carlos Prates (“Mancha”), diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, explica que a GM queria na verdade demitir os trabalhadores, porém aceitou negociar a permanência deles a partir do momento em que se iniciou a greve.

“Foi uma grande paralisação. Os trabalhadores cruzaram os braços dentro da fábrica, ou seja, entraram e não trabalharam. Essa ação começou a impactar a produção de motores dos carros fabricados em São Caetano e Gravataí”, conta Mancha. A GM alegou ao Sindicato e à mídia local que há um excedente de trabalhadores em razão do desaquecimento da economia.

As pessoas estão comprando menos carros e por isso a fábrica teria que reduzir a produção.

 

Setor já cortou 17 mil

Numa simples pesquisa na Internet é possível verificar que os carros no Brasil são bem mais caros quando comparados aos vendidos no México, nos EUA ou nos países da Europa. As montadoras automobilísticas possuem uma margem de lucro muito grande no país.

“O objetivo da empresa é garantir lucro no Brasil para compensar o prejuízo que vem sofrendo em outros países. Mas, ao invés de baixarem os preços dos carros para equilibrar a desaceleração da economia, eles optam por reduzir a produção demitindo os trabalhadores ou reduzindo direitos”, ressalta Mancha.

Ele questiona também o governo federal pelo fato de ter dado às montadoras isenção fiscal, como a do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sem exigir como contrapartida, no mínimo, a estabilidade dos trabalhadores.

Notadamente o setor está em crise, pois a Volkswagen, por exemplo, dará férias coletivas a 4.200 funcionários de 30 de março a 20 de abril, e também em março deveria colocar em lay-off outros 250 funcionários, de acordo com Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em fevereiro as vendas sofreram queda de 28,9% com relação ao mesmo mês do ano anterior.

A Anfavea reconhece que desde novembro de 2013 o setor já demitiu 17.300 pessoas. Todas essas demissões impactam a economia como um todo e, sobretudo, a regional, já que, a cada emprego direto perdido, estima-se que outros cinco desapareçam. A direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirma que a luta não terminou, mas que apenas ganharam um tempo para poder organizar as mobilizações e garantir o emprego desses trabalhadores. A luta será focada em cobrar da empresa e do governo federal.

 

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