Para Nilton Blau, “a música traz a alegria do viver e do compartilhar”

NILTON, UM JOSEENSE: músico, arte educador e produtor cultural

Está em fase de produção o novo CD “Folias e Trovas da Beira Rio” do grupo Cabelo de Milho.

Nilton Aparecido Barbosa, o Blau, um dos criadores do grupo, é compositor do Emcubala, bloco de carnaval formado pelos funcionários do INPE que, pelo terceiro ano consecutivo, abre o carnaval da cidade.

Por Fernanda Soares

Em abril deste ano o músico Nilton Aparecido Barbosa, o Nilton Blau, juntamente com o Instituto de Inclusão e Pertencimento Social (IIPS) começou a ministrar aulas de música e folclore para jovens especiais, na Vila Ady Anna.

“De forma lúdica, informativa e interativa, trabalhamos o desenvolvimento psicomotor e a socialização”, conta Blau.

O trabalho com os jovens é beneficiado pela longa experiência de Nilton Blau, joseense criado em Minas Gerais até os 15 anos. Nas Gerais, Blau vivenciou e incorporou a tradicional cultura brasileira.

Criado pela avó materna, Rosalina, ouviu dela os causos, orações, receitas, cantigas e todas as histórias de seus bisavôs, que descendiam de escravos das lavouras de café. Do avô Juca, pescador de origem italiana, herdou a alegria. Do pai, o violeiro, compositor, pintor e poeta, Vicente Claudino, recebeu o amor pela música.

“Tive uma vida muito simples, mas intensa e feliz. Até mesmo na hora de dividir o prato de feijão com farinha de milho”, afirma o músico.

A arte na transformação social

Na Escola Agrícola de Jacareí, Blau despertou para a cultura social. Estudou música com grandes mestres.

Em Salvador, conviveu com Olodum, Olorum, Araketu e outros. Aprendeu a ser bonequeiro com mestre Saúba e com a figureira D. Eugenia.

Trabalhou durante 23 anos junto ao grupo de estética de folclore Piraquara. Participou de montagens de espetáculos de folias, congos, maracatus, afoxés, mazurkas, sambas de roda, jongo, autos de natal.

É compositor do bloco Piro-Piraquara que sai todos os anos em São José. No teatro, participou em São José das montagens de Morte e Vida Severina e O Pagador de Promessas.

Com a síntese feita a partir deste vasto aprendizado desenvolveu um método de socialização que envolve arte e educação para crianças e jovens. Já em 1996, na zona sul de São José, ele montou uma oficina de percussão com crianças carentes. Nela estão as raízes do Projeto Djemberê, que trabalha a música como elemento de transformação social e incentivo para novos valores artísticos na comunidade.

O Djemberê mantém dois pontos de ação na comunidade. Um deles é o Grupo de Forró Djemberê. Em parceria com a Prefeitura de São José ministra workshops de cultura.

Com a Sociedade Amigos da Vila Ema (Savema) mantém um local para reunir artistas, músicos e arte-educadores onde são ministradas aulas de percussão para a comunidade.

“Parabenizo este jornal pela possibilidade de expressão de um cidadão músico, arte educador, poeta, violeiro, bonequeiro e produtor cultural e pai, que resiste às novas culturas midiáticas que tiram, principalmente do jovem, a capacidade de crítica”, conclui Blau.

Cabelo de Milho: 20 anos de história

O Grupo Cabelo de Milho surgiu, há mais de 20 anos, da parceria entre Blau e o músico e mestre do acordeom Kardec Gonzaga. Um grupo singular que tem no repertório composições próprias e de artistas do Vale do Paraíba.

Com dois CD´s gravados e um DVD, o Cabelo de Milho leva a cultura do Vale do Paraíba para os palcos e para o mundo através da voz, cordas e percussão de Nilton Blau, dos acordes da sanfona de Gonzaga e do desempenho musical dos músicos que os acompanham.

Blau diz que gostaria de atender mais a comunidade de São José na sua carência de cultura, mas que, infelizmente, as instituições ligadas à Cultura e Arte fecham suas portas sem explicações. “Verbas destinadas a essas áreas existem, mas esbarram na burocracia” protesta.

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