KC-390 entra em linha de produção

FABRICAÇÃO DO JATO VAI GERAR MILHARES DE EMPREGOS

Antonio Biondi

 

O avião, que substituirá o Hércules C-130, é o maior já produzido no Brasil e apresenta a vantagem de fazer o reabastecimento de outras aeronaves em pleno ar, realizou com êxito seu voo de estreia.

 

O desenvolvimento e produção do KC-390, novo jato militar da Embraer financiado por verbas federais como parte do plano de rearmamento das Forças Armadas, poderá gerar cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos, segundo estimativas da empresa. No dia 3 de fevereiro foi realizado com sucesso o primeiro voo do novo jato.

 

A atividade, realizada em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, durou 1 hora e 25 minutos, período no qual o KC-390 realizou manobras para avaliação das características de voo, além da execução de uma variedade de testes de sistemas. Em maio de 2014, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer assinaram contrato de produção para a entrega de 28 aeronaves KC-390 e suporte logístico inicial.

 

Os primeiros jatos devem ser entregues em 2016 e os demais até 2023. O contrato, com duração prevista de 12 anos, tem valor de R$ 7,2 bilhões. Desse total, a maior parte, R$ 4,5 bilhões, é investimento estatal, como informou o Jornal do SindCT 31 (agosto de 2014), p. 5. “O KC-390 é resultado de uma estreita cooperação com a FAB e conta com outros parceiros internacionais, representando provavelmente o maior desafio tecnológico que a empresa já enfrentou em sua história”, afirma o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado.

 

O avião, que substituirá o cargueiro militar Hércules C-130, é o maior já produzido no Brasil e pode fazer o reabastecimento de outras aeronaves em pleno voo. Existem intenções de compra de outros países, totalizando outras 32 aeronaves.

 

Segundo o jornal Valor Econômico, a Embraer projeta vendas da ordem de US$ 20 bilhões para o KC-390 nos próximos 10 a 15 anos.

 

Espinha dorsal”

Além da participação da Aeronáutica, o desenvolvimento do KC-390 contou com o apoio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Inova Empresa, programa governamental de estímulo à inovação tecnológica.

 

O tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Luiz Rossato, novo comandante da Aeronáutica, destacou, em matéria publicada no site do Ministério da Defesa, que o KC-390 será a “espinha dorsal da aviação de transporte” da Força Aérea Brasileira. “Da Amazônia à Antártica, a frota de 28 aeronaves terá um papel fundamental para os mais diversos projetos do Estado brasileiro, da pesquisa científica à manutenção da soberania”, declarou o militar. O KC-390 poderá ser utilizado em ampla gama de missões, do transporte e lançamento de cargas e tropas ao reabastecimento aéreo, passando pela busca e resgate e combate a incêndios florestais, entre outras.

 

Com o voo inaugural realizado em Gavião Peixoto, o novo jato dá início à sua campanha de testes no ar destinados a obter sua certificação. Para tanto, o avião deverá realizar cerca de 2 mil horas de voo até o final de 2016.

 

Alckmin e a lucrativa Sabesp

Como antecipou reportagem publicada no Jornal do SindCT 33 (“Escassez de água já afeta Vale do Paraíba”), os reservatórios da região entraram em nível crítico. O baixíssimo nível do reservatório de Paraibuna, em especial, compromete o abastecimento do estado do Rio de Janeiro. No estado de São Paulo, as chuvas de fevereiro melhoraram a situação do Sistema Cantareira; mesmo assim a situação é grave, pois o nível está em torno de apenas 8%, já considerados os “volumes mortos”. Não há segurança quanto à qualidade da água consumida, dado o risco de contaminação do líquido proveniente dos “volumes mortos” por metais pesados. O governo paulista fala em até em utilizar a água da represa Billings, onde um estudo de doutorado da USP já constatou farta presença de metais pesados. A credibilidade do governo Alckmin em matéria de crise hídrica beira zero %, depois das declarações do governador, em 2014, de que não havia nem haveria racionamento de água. Uma das principais razões da falta de investimentos da Sabesp em obras de longo prazo para prevenir e combater a seca é a privatização parcial da empresa — ocorrida em 1994, quando abriu seu capital na Bolsa: parte expressiva dos lucros da Sabesp é destinada, na forma de dividendos, aos acionistas privados. O blogue GGN divulgou que entre 2003 e 2013 a Sabesp distribuiu mais de R$ 4,3 bilhões aos seus acionistas, o que corresponde a cerca de um terço do seu lucro total nesse período, de R$ 13,1 bilhões (http://goo.gl/5XpL7Y).

 

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