A indigesta vida corporativa em tempos neoliberais

ENTRETENIMENTO AUDIOVISUAL

As duas séries não são propriamente novidades, ambas disponíveis na Internet, no serviço de distribuição de vídeos Netflix. The Office, por exemplo, está “na estrada” há bastante tempo. The Fall é mais recente e sua segunda temporada entrou em linha em 2015. Uma série nada tem a ver com a outra. The Office (“O Escritório”) satiriza o cotidiano de uma empresa norte-americana, as relações de poder e as relações interpessoais que vicejam no árido ambiente corporativo.

 

The Fall (“A queda”), que se passa na Irlanda do Norte, acompanha os crimes sexuais cometidos por um jovem psicopata e a caçada desfechada pela polícia. Steve Carell, o conhecido comediante, é a figura central de The Office.

Seu personagem é Michael, um chefe caricato, sem noção de ridículo, capaz de criar constrangimentos intermináveis para seus subordinados. O escritório, por sua vez, padece das piores características da “vida corporativa” sob o neoliberalismo: assédio moral, competição doentia entre os colegas, puxadas de tapete, delações. Tudo mostrado com humor corrosivo.

 

Em The Fall quem brilha é a atriz Gillian Anderson (conhecida pelo papel de Scully na legendária série de ficção científica Arquivo X). Seu personagem, Stella Gibson, é a policial trazida de Londres para chefiar a investigação de assassinatos em série de mulheres atraentes. Apesar de uma ou outra sequência inverossímil, The Fall está acima da média de produções do gênero, por contar com personagens complexos, diálogos bem elaborados e narrativa realista, tendo como pano de fundo a tensa Belfast. (Pedro Pomar)

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