DCTA quer realizar ensaios de fadiga de novo cargueiro da Embraer

VALORIZAR O PÚBLICO: investimento estatal não pode virar privado

Hoje, a Embraer não possui laboratório para ensaios de fadiga do C-390. Pretende construí-lo com financiamento do Governo Federal. Com quem vai ficar este laboratório? Com o DCTA ou com a Embraer privatizada?

Por Fernanda Soares

Em 2007, a Embraer anunciou o projeto de uma aeronave cargueira, o C-390, que poderá se tornar o maior e mais ambicioso projeto da empresa. O DCTA, berço da Embraer, quer participar da concorrência para a execução dos ensaios de fadiga da aeronave, como realizado com sucesso no caso da aeronave ALX no Laboratório de Ensaios Estruturais (LEE), da Subdivisão de Ensaios Estruturais (ASA-E), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Hoje, a Embraer não possui laboratório para ensaios de fadiga do C-390 e deverá construí-lo com financiamento do Governo Federal. Caso seja aceita a proposta da Embraer, o laboratório fi cará para a empresa, hoje privada.

Laboratório no DCTA

A proposta do DCTA para o C-390 segue os mesmos moldes da realizada para o ALX: a construção de laboratório específico, porém mantendo toda a estrutura necessária no DCTA, podendo futuramente ser utilizada para outros testes.

A ASA-E dispõe de equipe treinada, conhecedora dos processos de ensaio e capaz de conduzir a missão. “Nós não perdemos em nada em relação à Embraer. O que nós não temos, eles também não têm. A Embraer teria que montar esse laboratório com recursos da FAB.

A vantagem de montar esse laboratório no DCTA é deixar para o país o investimento feito pelo governo”, afirma Ivanil Barbosa, diretor do SindCT e servidor do DCTA. O contrato entre a Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) foi assinado em abril de 2009 com o valor de R$ 3,028 bilhões.

O custo foi estimado para cobrir o desenvolvimento e produção de dois protótipos e toda a documentação e ferramental associados. O cronograma do projeto tem três fases e duração total de sete anos.

A primeira fase para definição de componentes e parcerias (dois anos); a segunda fase para detalhamento do projeto e produção de dois protótipos (três anos) e a terceira fase para testes e qualificação dos protótipos (dois anos). Seguindo o cronograma, a campanha de certificação do C- 90 deverá iniciar no terceiro trimestre de 2014, para, então, ser autorizada a produção.

Sobre a aeronave C-390

O novo cargueiro militar será um avião capaz de transportar 19 toneladas, além de ser mais leve, de maior alcance, maior velocidade e ter mais capacidade de armazenamento de combustível.

Outra característica importante é a capacidade de reabastecimento em vôo. Segundo Ivanil Barbosa, o mundo não se preparou para a substituição dos aviões cargueiros usados atualmente e esse projeto da Embraer ocupará um novo nicho no mercado.

O caso da aeronave ALX

Na década de 60, para que as atividades de ensaios de fadiga pudessem ser realizadas na aeronave ALX, a Embraer propôs ao governo a construção de um laboratório específico.

A realização destas atividades, somava um investimento de US$ 12 milhões. Todas as despesas para a construção do laboratório e compra de equipamentos seriam custeadas pelo governo e, após o término do ensaio de fadiga, o laboratório e toda a estrutura ficariam para uso da Embraer, na época uma empresa pública.

O DCTA propôs fazer o laboratório em suas instalações e investiu em equipamentos, infra-estrutura e treinamentos de pessoal o equivalente a US$ 9 milhões. As instalações hoje pertencem ao DCTA e podem ser usadas para outros fins, como ensaios de equipamentos bélicos, de trens de pouso da própria Embraer e ensaios de fadiga de pequenas aeronaves.

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