Plebiscito Popular obtém 7,75 milhões de votos favoráveis à reforma política

REELEITA, PRESIDENTE DILMA RETOMA PROPOSTA

Shirley Marciano

ão José dos Campos registrou 5.237 votos a favor da Constituinte Exclusiva, ao passo que em Jacareí foram assinalados “sim” em 5.196 cédulas. Silêncio da mídia não impediu a vitória O Plebiscito Popular por um Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, que aconteceu entre os dias 1 e 7 de setembro, obteve um total de 7.754.436 votos “sim”.

O objetivo principal foi demonstrar o desejo da população em mudar as regras do jogo no campo da política com a alteração da Constituição Brasileira. Foram abertas cerca de 40 mil urnas em todo o país, por meio de comitês regionais, que foram os responsáveis pelos debates locais, pela busca de apoio e pelo plebiscito propriamente dito em suas cidades.

Também foi possível votar pela internet, no site oficial do Plebiscito. O comitê de São José dos Campos, com suas 40 urnas, registrou 5.237 votos a favor da Constituinte. Em Jacareí houve uma votação bastante expressiva: foram assinalados “sim” em 5.196 cédulas. “Consideramos uma grande vitória, pois alcançamos o objetivo mesmo com o silêncio da grande imprensa, que chegou a fazer a cobertura da preparação do plebiscito da Escócia, mas não deu uma nota sequer sobre o nosso aqui no Brasil”, explica Maria de Oliveira Melo, psicóloga e membro do comitê do Plebiscito em São José dos Campos. “A meu ver a votação de Jacareí superou as expectativas.

A falta de divulgação pela imprensa conservadora já era algo esperado, porque a ela não interessa uma reforma política, porque mexe com seus interesses”, relata Paulinho José de Oliveira, liderança da Central de M o v i m e n - tos Populares (CMP) e membro do Comitê do Plebiscito em Jacareí.

Desafio

Maria Melo explica que o principal desafio foi esclarecer para cada cidadão a importância da reforma do sistema político, pois não se trata de um tema do cotidiano da maioria das pessoas. Por esse motivo, as parcerias foram fundamentais para organizar os debates e distribuir as pessoas em condições de falar sobre o tema. Paulinho concorda que houve dificuldade em simplificar o assunto, mas considera que no fim deu tudo muito certo. Após as manifestações de junho de 2013, a presidenta Dilma Roussef disse que ouviria as vozes das ruas.

Compreendeu que a população queria uma reforma política e chegou a propor a realização de um plebiscito. Tão logo foi reeleita, Dilma voltou a enfatizar a necessidade de tais mudanças, citando o problema do financiamento de candidaturas por empresas privadas, que é uma fonte de corrupção.

 

Hildebrando Pereira da Silva (1928-2014)

Antonio Biondi

Um dos maiores cientistas brasileiros de todos os tempos, o parasitologista Hildebrando Pereira da Silva faleceu em 24 de setembro, aos 86 anos de idade. Militante comunista, era um jovem docente da USP quando foi demitido da instituição pela primeira vez, em 1964, e logo em seguida encarcerado por meses no navio-prisão “Raul Soares”.

Construiu sua reputação de pesquisador no exterior, tendo se tornado um dos diretores do prestigioso Instituto Pasteur, em Paris. Em 2009, quando já havia retornado definitivamente ao Brasil, Hildebrando obteve uma reparação parcial das injustiças sofridas: a Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) outorgou a ele e a outros sete colegas perseguidos pela Ditadura Militar o título de Professor Emérito. Formado em 1953, Hildebrando desenvolveu com sucesso nos anos seguintes pesquisas sobre esquistossomose e a Doença de Chagas.

Em 1961, obteve a livre docência em parasitologia na FMUSP e viajou para Bruxelas, onde trabalhou com genética molecular. Em 1962 e 1963, atuou no Instituto Pasteur, em Paris, voltando ao Brasil em fins de 1963. No ano seguinte, com o golpe militar, enfrentou sua primeira demissão da USP. Preso pelos militares, foi levado para o navio-prisão “Raul Soares”, ancorado em Santos.

Ali Hildebrando e seus companheiros de cárcere foram submetidos a condições vexatórias e desumanas, as quais ele relatou no livro Crônicas subversivas de um cientista, lançado em 2012. Uma vez libertado, voltou a Paris. Em 1968, assumiu o cargo de professor no Departamento de Genética da USP de Ribeirão Preto. Mas já em 1969 sofreu sua segunda demissão, em razão do AI-5.

Na década de 1970 mais uma vez retornou a Paris, sendo nomeado chefe do Laboratório de Diferenciação Celular do Instituto Pasteur. Em 1976 foi convidado pela instituição a organizar uma nova unidade de Parasitologia. Nos dez anos seguintes, pesquisou a malária, desenvolvendo relevantes estudos sobre moléculas candidatas à vacina contra a doença. “Ele desenvolveu um trabalho de muito valor para o Brasil e para o mundo todo”, afirma Gerhard Malnic, professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP).

“Não há muita gente trabalhando com essa questão no mundo, e não há muito dinheiro disponível. Normalmente são doenças relacionados aos países mais pobres. E o Instituto Pasteur é um lugar muito bom para se trabalhar e para aprender em relação a essas questões”. Após se aposentar no Pasteur, o pesquisador voltou ao Brasil. Na década de 1990 associou-se ao Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Porto Velho e, mais tarde, organizou o Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais (Ipepatro), também em Rondônia.

“Hildebrando era uma pessoa que gostava desse tipo de trabalho, com essas referências e em condições adversas”, diz Malnic.

 

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