Vacilações do PEB

../32aedicao/charge.jpg

 

Caro leitor, cara leitora, Esta edição do Jornal do SindCT traz diversas matérias sobre aspectos críticos do Programa Espacial Brasileiro (PEB). Destacamos na manchete uma entrevista exclusiva com o senador Aníbal Diniz (PT- -AC), relator da comissão encarregada de avaliar a implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) no país. Após uma visita à sede da Visiona, empresa responsável pelo fornecimento do satélite SGDC, o senador esteve no INPE e recebeu a diretoria do SindCT.

Na ocasião, os representantes do sindicato externaram sua crítica ao modelo adotado pelo governo no desenvolvimento do SGDC: além de não contribuir com o avanço tecnológico do Brasil na área de satélites geoestacionários, esse modelo ainda alijou o INPE de todas as atividades relacionadas a esse projeto. O senador, por sua vez, declarou ao Jornal do SindCT que o INPE merece ser consultado pelo governo em todas as questões relativas ao setor aeroespacial; e que deveria participar do SGDC.

Outra matéria, na página 7, aponta que o programa de “absorção de tecnologia” associado ao SGDC, além de não resultar, de fato, em transferência de tecnologia, pode ter causado prejuízo aos cofres públicos. Crítica semelhante tem sido feita pelo SindCT em relação à política adotada pelo governo na área de veículos lançadores de satélite: ao invés de investir no desenvolvimento de um foguete nacional, drena mais de meio bilhão de reais na capitalização da Alcantara Cyclone Space (ACS), empresa binacional responsável pelo desenvolvimento de um foguete ucraniano e pela construção, em Alcântara, de uma base de lançamento para esse mesmo foguete.

Também destacamos a opção acertada do governo argentino no desenvolvimento de seu programa espacial, que por meios próprios foi capaz de projetar, fabricar, integrar e testar seu próprio satélite geoestacionário, posto em órbita no último dia 16 de outubro. Tais preocupações com os rumos do PEB parecem ser compartilhadas também pelo engenheiro Fernando de Mendonça, um dos fundadores do INPE e seu primeiro diretor, que recebeu nossa reportagem para uma entrevista exclusiva, publicada nas páginas 8 e 9.

Mendonça teme que o instituto entre em decadência por deficiência de recursos humanos e falta de visão estratégica. Ele opina que o programa CBERS é “inútil”, porque a seu ver os chineses não transferem tecnologia ao Brasil, e considera Alcântara “um certificado de incompetência”.

Por fim, convidamos os leitores e leitoras do Jornal do SindCT, em particular os servidores do DCTA e do INPE, a enviarem sugestões, críticas e opiniões para jornaldosindct@sindct.org.br

Correspondências que chegarem a partir desta edição serão publicadas na seção Cartas. Boa leitura!

Compartilhe
Share this

testando