Iniciada a produção de protótipos do jato de transporte militar KC-390

NOVA AERONAVE SUBSTITUIRÁ CARGUEIRO “HÉRCULES”

Fernanda Soares

Modelo desenvolvido em parceria com a FAB será maior avião já projetado no país. No final de maio a Embraer inaugurou o hangar onde será instalada a linha de montagem final, em Gavião Peixoto (SP) KC-390 é um projeto conjunto da Força Aérea Brasileira (FAB) com a Embraer para desenvolvimento e produção de um avião de transporte tático militar e de reabastecimento em voo, e representa expressivo avanço em termos tecnológicos e de inovação para a indústria aeronáutica brasileira.

 

Uma aeronave desenvolvida para estabelecer novos padrões na sua categoria de mercado, com menor custo operacional e capaz de realizar diversas missões: transporte de cargas e tropas, lançamento de cargas, reabastecimento em voo, busca e resgate e combate a incêndios florestais. O avião será produzido na unidade industrial de Gavião Peixoto, em instalações de mais de 30 mil m2 de hangares.

 

Cerca de 1.500 empregados da Embraer estão hoje diretamente envolvidos no projeto e mais de 50 empresas brasileiras estão participando do desenvolvimento do KC-390. Os protótipos devem ficar prontos no segundo semestre, passarão por testes no solo e, até o final do ano, acontecerá o primeiro voo.

 

As primeiras exportações da nova aeronave terão como destinos a Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e República Tcheca, que confirmaram a intenção de adquirir o KC-390. Por outro lado, a FAB assinou recentemente um contrato de produção seriada com a Embraer, e começará a receber 28 unidades do KC-390 a partir de 2016.

Vantagens

O KC-390 chega ao mercado para substituir o Hércules, fabricado desde 1952. Enquanto o antecessor em sua versão mais moderna não passa dos 671 km/h, o avião brasileiro irá voar a 850 km/h. Assim, um KC-390 poderá decolar de Brasília e chegar sem escalas a qualquer capital brasileira, carregando consigo 23 toneladas de carga, sua capacidade máxima. Um KC-390 que decole com carga máxima de Praga poderá chegar a qualquer ponto da Europa e partes da Ásia sem paradas.

 

Nas asas, o avião poderá levar até 23,2 toneladas de combustível. Além de alimentar as próprias turbinas, também será possível fazer o reabastecimento em voo de outros aviões ou helicópteros. Por isso a aeronave é chamada de KC: C de Carga e o K de tanker, ou reabastecedor, em inglês. “O KC-390 consegue cumprir todas as missões do Hércules, mas de forma melhor e com muito mais rapidez”, declarou ao Jornal do SindCT o coronel Sérgio Carneiro, gerente do projeto na Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac).

 

“O projeto da aeronave KC-390 está sendo desenvolvido pela Embraer, em parceria com a Força Aérea Brasileira e seguindo requisitos estabelecidos por ela, desde 2009. Sua Revisão Crítica de Projeto (CDR, do inglês Critical Design Review) foi realizada em março de 2013. A partir de então, a empresa iniciou a fase de construção dos protótipos”. O oficial explica que o KC-390 “é a maior aeronave já projetada no Brasil e terá que aliar características como voar a até 850 Km/h, levar até 23 toneladas de carga e pousar em pistas curtas, como na região amazônica e até na Antártica”. O compartimento de carga poderá levar 80 soldados ou 66 paraquedistas, ou ainda sete pallets de carga. Em configuração para resgate de doentes ou feridos, acrescenta, poderão ser instaladas até 74 macas, além de espaço para uma equipe médica. “O KC-390 também terá seus sistemas de controle de voo totalmente elétricos (fly-by-wire) e uma eletrônica embarcada de última geração, compatível com sistemas de visão noturna, além de sistemas de autoproteção contra mísseis”, garante o coronel Carneiro.

Ensaios de fadiga

Indagado sobre a possibilidade de o DCTA vir a realizar os ensaios de fadiga estrutural do KC-390, já que o instituto conta com pessoal capacitado (que já realizou ensaio na aeronave AT-29 - ALX), o coronel afirmou que os ensaios de fadiga estrutural fazem parte do escopo do desenvolvimento, contratado à Embraer, e são assim de responsabilidade da empresa.

 

“No caso específico do KC-390, não existe possibilidade técnica de realização desses ensaios fora da planta de Gavião Peixoto, interior paulista, pela inviabilidade de transporte da estrutura, que é montada naquela planta”, aduziu. “O hangar de montagem final, recentemente inaugurado com a presença da presidenta Dilma, totaliza cerca de 13 mil m2 de área construída, com pé direito de 22 metros, para acomodar o processo produtivo da aeronave. Como parte desse processo, estão as operações de junção das semiasas e da asa à fuselagem, bem como das empenagens à fuselagem”, disse o oficial.

 

“Não há viabilidade técnica para a realização dessas operações de junção fora da planta, concebida e construída para esse fim. Como não é possível transportar a estrutura montada, seria necessário duplicar grande parte da infraestrutura e ferramental de produção no DCTA apenas para produzir um protótipo para o ensaio de fadiga, o que é tecnicamente e financeiramente inviável”, continuou.

 

O coronel Carneiro declarou que o governo brasileiro vem investindo na nova aeronave, “através da Força Aérea, cerca de R$ 4,5 bilhões”. O projeto, diz ele, apresenta “resultados expressivos na capacitação tecnológica da base industrial nacional, especialmente na própria Embraer, [onde] deverá gerar resultados significativos em exportações, [contribuindo] para um melhor posicionamento do Brasil no contexto internacional [de produção de aeronaves]”. Haverá ainda “retorno para o governo brasileiro por intermédio do pagamento de royalties sobre cada aeronave exportada pela Embraer no futuro”.

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