Na Europa, os trabalhadores pagam pela crise

O PRIMEIRO MUNDO já não é mais o mesmo

A crise econômica europeia é um fato.

E outro fato é que ela não foi provocada pelos trabalhadores, embora sejam esses, mais uma vez, que estejam pagando a conta

Por Claudia Santiago

Todos os dias lemos e escutamos notícias da crise na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália.

Em alguns destes países, como a Espanha, o desemprego já passa dos 20%. Entre os jovens de 16 a 29 anos a situação é ainda pior: na Itália, chega a 30%.

Muitos deles são obrigados a migrar para países como Bélgica e Inglaterra em busca de dias melhores.

Partem para o norte, enquanto a juventude da Ásia e do Leste Europeu migra para seus países, na Europa do sul.

As medidas apresentadas pelos vários governos europeus para a crise são sempre as mesmas: redução do crescimento (desemprego), garantir o pagamento da dívida externa e retirada dos direitos dos trabalhadores.

Globalizando o desespero, as medidas são as mesmas aplicadas na América Latina: aumento da idade de aposentadoria, aumento da jornada de trabalho e eliminação do que sobrou do chamado “Estado de bem-estar social”.

Itália: exemplo de ataque aos trabalhadores Durante décadas, o movimento operário italiano foi um grande exemplo para o mundo.

Greves, greves gerais, manifestações e muitas vitórias.

Foi assim que, nos anos 1980, foi conquistado o Contrato Coletivo de Trabalho e o Estatuto dos Trabalhadores.

Essas duas conquistas garantiram inúmeros direitos, como a estabilidade no emprego, a redução da jornada de trabalho e a proteção à saúde do trabalhador, além de importantes direitos sindicais. Os trabalhadores tinham orgulho de sua condição.

Mas a coisa mudou.

Desde a década de 1990, os patrões e os governos, seus aliados, estão fazendo de tudo para anular as conquistas históricas da classe trabalhadora.

No começo de 2011, a Federação das Indústrias desfechou um ataque feroz sobre os trabalhadores da FIAT de Turim que, se bem sucedido, atingiria todos os trabalhadores.

Intentaram, através de acordos com as centrais sindicais amigas, impor o fi m de 50 anos de conquistas: anulação do Estatuto dos Trabalhadores, fim do Contrato Coletivo e da Representação Sindical livre da intromissão patronal.

Os metalúrgicos tentaram resistir, marcaram uma greve geral, mas não obtiveram o êxito esperado.

A esperança, hoje, é uma reação mundial dos trabalhadores à onda de destruição de direitos que governos e patrões estão jogando sobre eles.

A importância da solidariedade de classe é muito atual.

TYSSENKRUPP italiana é condenada por 6 mortes

Vitória importante

Em 6 de dezembro de 2007, sete funcionários da empresa morreram em um incêndio na fábrica ThyssenKrupp.

No último dia 15 de abril, a segunda corte de Turim, no norte da Itália, presidida por Maria Iannibelli, condenou, Harald Espenhahn, chefe da planta da ThyssenKrupp na cidade, a 16 anos e meio de prisão.

Os jurados acolheram a solicitação da promotoria e confirmaram a acusação de homicídio voluntário, para o chefe, e de cooperação no homicídio, para os outros gerentes, condenados a tempo menor na prisão.

Fonte: La Repubblica

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