Petrobras continua sólida

Ataques à estatal são inconscistentes

Da Redação

 

Associação dos Engenheiros da empresa (Aepet) aponta “interesse eleitoreiro” nas denúncias da oposição e da mídia. A entrega do Campo de Libra a um cartel de petroleiras estrangeiras é bem mais grave do que o caso Pasadena, diz Fernando Siqueira Um abraço simbólico na Petrobras, com a ideia de “desagravo”, foi realizado no dia 28/5 no Rio de Janeiro, na Avenida Chile, onde se localiza a sede da estatal.

Participaram representantes de entidades como Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), Clube de Engenharia, Sindicato dos Petroleiros do RJ e movimentos sociais, defendendo a empresa que, nesses 60 anos de existência, “tem desempenhado papel central no desenvolvimento do país”, segundo o manifesto distribuído na ocasião.

“A Petrobras é uma instituição séria, respeitada mundialmente. Tem sido feito um estardalhaço com alguns problemas pontuais. Toda empresa do mundo está sujeita a ter problemas com alguns de seus funcionários”, afirmou Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet, em entrevista preparatória divulgada em 23/5 pelo Programa Faixa Livre (http://goo.gl/qi- VsC9).

“Mas a Petrobras tem 88 mil funcionários, não pode ser desmoralizada por dois ou três caras que agem erradamente. Queremos mostrar que a empresa continua sólida, e exigimos que sejam feitas investigações para acabar com esses procedimentos inadequados”.

Siqueira apontou “interesse eleitoreiro” em algumas das denúncias: “Requentam por exemplo o caso Pasadena, refinaria dos EUA, que o [Sílvio] Sinedino [presidente da Aepet e representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras] denunciou em 2012 e a imprensa não deu grande importância. Agora levantaram com estardalhaço enorme, sendo que algo muito mais grave é a refinaria Abreu Lima, em Pernambuco, houve um superdimensionamento e inclusive corrupção, e Pasadena é uma coisa até insignificante, em relação à entrega do campo de Libra”.

O vice-presidente da Aepet disse que o maior campo do mundo, descoberto pela própria Petrobras, “foi tomado dela, que comprou essa área, comprou sete blocos e Libra era um deles”. Após a descoberta, acrescentou, o governo tomou a área e a leiloou. “Isso aí entregou 60% de um campo que vale aproximadamente US$ 1,5 trilhão”, continuou Siqueira. Um segundo interesse em jogo, além do eleitoreiro, seria o internacional: “A Petrobras é um empecilho, né? Os grupos internacionais não se conformam com a Petrobras ser a operadora única do Pré-Sal”, completou.

Mídia e “mercado”

Os grandes meios de comunicação e partidos como PSDB têm afirmado que, nos governos Lula e Dilma, a Petrobras perdeu patrimônio e valor de mercado. Em 16/5, a estatal respondeu aos ataques: “Somos a empresa de energia que mais investe no mundo. Hoje, nosso valor de mercado, de US$ 104,9 bilhões (valor de 7 de maio de 2014), é seis vezes maior do que em 2002 (US$ 15,5 bilhões).

Descobrimos grandes reservas de petróleo e de gás e chegamos a um patamar diferenciado no setor petrolífero mundial”, afirma a empresa (http://goo.gl/ pMDMxL). “Em 2018, produziremos 3,2 milhões de barris por dia de petróleo e 4,2 milhões em 2020. Nosso refino crescerá continuamente e chegará a 3,3 milhões de barris por dia em capacidade de processamento de petróleo em 2020”. O professor Giorgio Romano Schutte, da Universidade Federal do ABC (UFABC), critica a visão de curto prazo dos investidores financeiros, relacionada à queda no valor das ações da Petrobras.

Tal visão, diz ele no artigo “Pré-Sal e o futuro do Brasil” (http://goo. gl/1b9gGR), “pode levar a uma interpretação errada dos seguintes fatos: a ausência de aumento da produção total de petróleo e gás no período 2010-2013, o déficit anual de mais de US$ 10 bilhões na conta de abastecimento e a queda das ações da Petrobras”. Nesse momento, assegura, a ação da Petrobras é um investimento de longo prazo. “A megacapitalização aumentou o capital para possibilitar aumento da receita no futuro, baixando no curto prazo a rentabilidade. Não serve a lógica da liquidez no curto prazo”, argumenta o professor da UFABC.

No seu entender, a estabilidade do nível de produção “esconde um enorme êxito da Petrobras, detentora de uma tecnologia endógena construída ao longo de décadas, que a fez descobrir o Pré- -Sal”. Em junho de 2013, continua ele, “somente sete anos depois da descoberta, o Brasil estava produzindo 376 mil barris de petróleo e gás equivalente por dia do Pré-Sal, superando todas as estimativas, inclusive da própria empresa”.

Na próxima década, o Brasil deve chegar a uma produção de óleo e gás equivalente a cerca de seis bilhões de barris por dia, nível atingido hoje somente por quatro países no mundo. “É o tamanho e a perspectiva de médio-longo prazo que justificam que a atuação da Petrobras e o marco regulatório devam ser pensados no âmbito da estratégia de política industrial e tecnológica do país”.

Derivados e déficit

O que não deve mudar, porém, nos próximos dez anos, é o déficit na conta de derivados, adverte Romano Schutte: “A política de crescimento com distribuição de renda gerou uma explosão do consumo de petróleo e gás” e o consumo aparente de derivados de petróleo aumentou 76% entre 2002 e 2011, no entanto a última refinaria (em São José dos Campos) “foi entregue em 1980”. O subsídio dos combustíveis é defendido por Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia: “A contenção da inflação é uma política pública de enorme impacto social.

A Petrobras pagou aos acionistas dividendos acima dos valores mínimos estabelecidos por lei. A Petrobras não pagou aos acionistas um adicional de dividendos, que corresponde ao superlucro da sua atividade, porque este valor estava sendo utilizado para conter a inflação, que penaliza prioritariamente as camadas mais pobres da população. E quem deve ser priorizado: os acionistas ou a população?” (Correio da Cidadania, 22/5/14).

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