Carreira em risco e outros "nós"

 

Chegou a Copa do Mundo, vai acontecer uma das maiores festas do mundo, com ou sem manifestações “populares”. É natural o uso desta vitrine global para expor críticas e reivindicações. Tudo legítimo e aceitável, o estranho é tachar os gastos da Copa como desvios de recursos da saúde, da educação e cultura ou da moradia, como se estes fossem líquida e integralmente assim direcionados. A revolução das ruas é uma distorção da verdadeira: a do voto consciente, lastreado no leitor educado e consciente.

Não obstante os terrorismos falaciosos da mídia hegemônica, o Brasil amadurece. Após o hiato da Ditadura Militar a organização da sociedade ainda é tímida e desorganizada.

Os sindicatos devem efetivamente assumir o papel de formadores de opinião, trazendo à tona temas da justiça, da cidadania e da participação política. Este é o grande desafio do SindCT neste ano jubilar de 25 anos, a ser comemorado em agosto.

A ocasião tem suscitado olhar para o futuro e ações no presente. O SindCT é atualmente palco de uma reestruturação administrativo-gerencial que busca prepará-lo para melhor atender aos desafios antevistos. O que começou como Projeto de Construção da Nova Sede (PCNS) levou ao Programa de Desenvolvimento Organizacional e de Gestão (PDOG).

A convergência dos dois movimentos compõe o Projeto Novo SindCT. Pretende-se que a sede deste novo sindicato seja espaço de encontro de amigos, de filiados, da sociedade, seja palco de debates construtivos de uma sociedade mais justa e consciente, que extrapole a d i m e n s ã o puramente administrativa e jurídica.

Entretanto, o presente cobra atenção: o grande desafio do momento é a sobrevivência. INPE e DCTA têm, por décadas, enfrentado dificuldades de financiamento que os levaram a encolherem de forma drástica. A situação real pode ser ainda pior, uma vez que se represam direitos de aposentadoria por labor em atividades especiais, cuja discussão não há de seguir indefinidamente, aumentando ainda mais o déficit de recursos humanos. Neste contexto, o chamado Código Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, composto pela PEC 290-A e pelo PL 2.177, constitui um grande perigo.

O SindCT, congregado a outras representações de servidores da carreira de C&T, tem entrado em colisão com a comunidade científica, capitaneada pelas universidades, que fomentaram e apoiam a iniciativa. Este embate não existiria se os institutos públicos de pesquisa estivessem prestigiados e saciados dos três insumos básicos de qualquer empreendimento: projetos, financiamento e quadro funcional adequado.

É impossível caminhar junto quando os expoentes deste movimento pregam a extinção de programas de pós- -graduação dos institutos públicos, mesmo quando alguns dos cursos oferecidos são únicos ou os melhor avaliados pela Capes. Nesta edição também se destaca uma contundente crítica à Agência Espacial Brasileira (AEB) e ao seu astigmatismo gerencial e estratégico, que propala “enormes conquistas” de cunho financeiro, quando em verdade financia programa espacial estrangeiro.

A Alcântara Cyclone Space é um crime lesa-pátria, é impossível sua justificação sob qualquer prisma, comercial ou tecnológico. Uma tremenda perda de tempo e de recursos que poderiam contribuir para fazer avançar o nosso próprio programa espacial.

 

ERRAMOS

Casas do Pinheirinho Na edição 29 do Jornal do SindCT, o texto de abertura da matéria da página 9, intitulada “Reparação aos moradores do Pinheirinho”, afirma que a presidenta Dilma Rousseff “fez questão de comparecer à entrega das casas para os moradores”. 

No entanto, como a matéria corretamente informa, a solenidade a que ela compareceu era de assinatura dos contratos de construção de casas (programa Minha Casa, Minha Vida) e não de entrega dos imóveis. Ditadura Militar e PM No texto “O golpe, a Ditadura Militar e os dias de hoje”, os autores afirmam que “o mais temível legado ditatorial são as Polícias Militares, criadas na década de 1970” (p.5).

Em São Paulo, a Força Pública foi extinta em abril de 1970 e no seu lugar criada a PM. Mas em diversos outros estados as PMs são mais antigas (p. ex. Paraná 1946, Rio de Janeiro 1947). De qualquer modo, no Decreto-Lei 667, de 1969, o marechal Costa e Silva colocou todas as PMs do Brasil sob “controle e coordenação” do Ministério do Exército e determinou que “o comando das Polícias Militares será exercido por oficial superior combatente, do serviço ativo do Exército” (o que vigorou até 1983).

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