Cinema

“Mordomo” acima da média

A alta qualidade dos principais protagonistas — Forest Whitaker, Oprah Winfrey, Cuba Gooding Jr., Terrence Howard — denuncia a pinta de “cinemão” de O Mordomo da Casa Branca. Sem falar nos astros em pequenos papéis: Vanessa Redgrave, Robin Williams (Eisenhower), John Cusak (Nixon) etc.

Apesar disso, Lee Daniels’ The Butler (nome original), do diretor Lee Daniels, é um filme bem acima da média.

O personagem central, Cecil Gaines, é um negro do estado sulista da Geórgia que, após uma tragédia familiar, conquista certa prosperidade como mordomo.

Ainda criança, Cecil teve a mãe estuprada e o pai assassinado por um fazendeiro branco.

Tornou-se então, por iniciativa da mãe do fazendeiro, um “negro da casa”, aprendendo a servir refeições e a realizar outras tarefas domésticas.

Adolescente, deixa a fazenda de algodão e chega à Carolina do Norte, onde a experiência como trabalhador doméstico lhe será útil.

Seu trabalho refinado num hotel chama a atenção de um funcionário graduado da Casa Branca, e ele é convidado a fazer parte da equipe de mordomos que atende aos presidentes da república. A história baseia-se na trajetória real de Eugene Allen, mordomo da Casa Branca por sete administrações.

O motor do filme, porém, é o crescente conflito entre Cecil — que procura se manter distante da luta dos negros norte-americanos por direitos civis, iniciada nos anos 1950 — e seu filho Louis, que se engaja ativamente em movimentos (Passageiros da Liberdade, Panteras Negras) e depois aproxima-se de Martin Luther King.

O crítico Scott Foundas, da Variety, apontou graves problemas no filme, mas reconhece que ele é “ao mesmo tempo gratuitamente sentimental e verdadeiramente empolgante”, e que “ao final, é difícil não se sentir emocionado”.

 

Pedro Pomar

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