Editorial - Ditadura destrói esperanças e deixa feridas abertas

O mundo gira em torno do eixo da essência do homem. O desenvolvimento científico-tecnológico produz grandes inovações que intrinsecamente não são nem boas nem más, mas que, sem dúvida, são criadas à luz das expectativas humanas.

A Bíblia segue atual nas discussões em torno do caráter do homem, da ética e da moral.

Parece que sempre há uma forma neomoderna travestida da velha maçã, para quebrar-lhe a pureza e inaugurar a tentação.
O Brasil é foco do mundo neste ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais.

Ávidos torcedores anseiam por ver a Brazuca rolar nos verdes campos, assim como ansiosos candidatos desejarão que a última imagem no monitor da urna seja a sua própria fotografia, antes de o eleitor pressionar o também verde botão de confirmação do voto.

As regras do futebol mudam, mas o jogo é o mesmo, outra similaridade.

A política é diferente, mas o jogo é o mesmo.

Há, entretanto, neste campo uma perniciosa máxima secular, a de que “para servir ao Rei (o Povo), muitas vezes é preciso enganar ao Rei (o Povo)”.

Como é muita gente “altruísta”, há correspondentemente uma multidão de enganadores justificados.

É perverso o tempo atual em que a inocência acabou e não se encontra mais alma sã.

O sonho de John Lennon de um mundo sem fronteiras nunca foi tão utópico como nos tempos atuais, em que um país se parte em duas bandeiras, Crimeia para lá e Ucrânia para não se sabe bem onde. Nesta cizânia resta a Alcântara Cyclone Space, empresa binacional Brasil-Ucrânia, um verdadeiro crime de lesa-pátria, bom somente para os irmãos ucranianos, nas mãos dos postulantes brasileiros que acreditam em não sei quê.

Temor do esquecimento

Nem com sua própria história aprende a Humanidade. São raros os Mandela que buscam amadurecer uma nação sobre as bases da união dos povos e das raças ao invés do caminho da revanche e da vingança.

A Democracia é fugidia como a linha do horizonte que se tenta alcançar com a obstinação ancestral de descobrir o “abismo do fim do mundo”.

Não há democracia perfeita, é como a felicidade que o Homem busca do nascer ao ocaso da vida. Quem a busca, encontra seus rastros e se alegra, sabe que ela existe e que é mil vezes preferível, mesmo imperfeita.

A Ditadura alvitra, destrói as esperanças, não alterna pontos de vista, interrompe a história, deixa feridas abertas.

Os movimentos da verdade brasileiros justamente se articulam pelo medo do esquecimento e da repetição dos erros.

Eu mesmo, nascido em 1959 e criado em Minas Gerais, conterrâneo do poeta Carlos Drummond de Andrade, não vivi na juventude o medo da “Veraneio Atleticana”, camburão de bom tamanho para lidar com o monte de subversivos do regime de ferro dos generais.

Só fui conhecer “pau de arara” na semana passada, no Memorial da Repressão, exposto em uma das galerias do Congresso Nacional. Mas eu sabia que tinha algo errado, pelas músicas de protesto, inteligentes e subliminares.

O pretexto da Ditadura era o combate ao Comunismo, em favor do Capital, que afinal tem vencido a guerra que ainda não acabou.

Em socorro de Lennon, um irmão, húngaro de nascença, escolheu vir ser Zé aqui no Brasil e nos ajudou a consolidar a Embraer como um dos maiores exemplos de inovação, criada a partir do investimento em ciência aplicada.

Viva Zé Kovács, exemplo de labor, criatividade e humildade.

Grande Húngaro, Grande Brasileiro, Grande Homem, segue moderno “Highlander da Aviação”, prior da Academia Brasileira de Aviação, a quem temos a alegria de honrar nas páginas deste Jornal do SindCT.

Ivanil Barbosa

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