Aquecimento da construção civil não traz melhorias para os trabalhadores

CRESCIMENTO E MORTE em São José e no Brasil

O mercado imobiliário vive seu melhor momento. Em 2010 o crescimento no setor atingiu 11% no Vale do Paraíba. Em São José dos Campos foi 1,5 vezes maior do que a média geral no país.

Por Fernanda Soares

Enquanto as construtoras lucram com o aquecimento no mercado, os trabalhadores sofrem com o descumprimento das leis.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São José dos Campos (Sintricom) relata que os maiores problemas estão relacionados ao descumprimento dos direitos trabalhistas e da Norma Regulamentadora 18 que garante as condições de Meio Ambiente e Trabalho na Indústria da Construção.

De acordo com o diretor do Sintricom, João Paulo Pereira da Silva, “nos últimos oito meses foram registrados oito acidentes fatais na região. Em São José dos Campos dois trabalhadores morreram vítimas de acidente de trabalho nos primeiros meses de 2011”.

João Paulo afirma que os acidentes não fatais raramente são comunicados.

“O trabalhador não abre a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) por medo de perder o emprego. O patrão fala para não preencher, que ele pode ficar em casa recebendo o salário, com a alegação de manter o trabalhador no emprego”, diz Dados do Ministério do Trabalho e Emprego revelam 472 acidentes fatais em obras brasileiras no ano de 2010.

Sindicato atua junto com DRT

Para enfrentar esses problemas, o Sintricom acompanha as obras regularmente, em companhia de um fiscal da Delegacia Regional do Trabalho de São José dos Campos.

As obras irregulares são embargadas até que os problemas encontrados sejam sanados.

Havendo reincidência, o responsável pela obra é multado.

No último ano, nas cidades de Caraguatatuba e Ubatuba, 19 de 20 obras fiscalizadas numa operação do sindicato foram embargas e duas empresas foram multadas por reincidência.

Nessas ocorrências, o motivo do embargo foi a falta de dispositivos de segurança obrigatórios e problemas na documentação dos trabalhadores.

Hoje, o maior problema enfrentado pelo trabalhador da construção civil é a péssima condição dos alojamentos, segundo o presidente do sindicato. “Nas obras vistoriadas, muitas vezes são encontrados trabalhadores alojados na própria obra, o que é proibido.

Em outras ocasiões, há alojamentos com mofo, sem camas, com instalações elétricas irregulares (com risco de incêndio ou choques), fogões ao lado de colchões, mostrando o descaso das construtoras e empreiteiras com os trabalhadores do setor”.

Compartilhe
Share this

testando