Institutos


Ministro assume compromissos



Foto: Fernanda Soares

Mercadante recebe SindCT

Representante do governo Dilma promete empenho na abertura de mais vagas para concurso público, além de um canal aberto de negociação para se debater as reivindicações da categoria

Marina Schneider*

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) foi o primeiro instituto visitado pelo novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. No dia 10 de janeiro ele recebeu três representantes do SindCT.

Mercadante garantiu espaço na agenda do ministério para que, em reuniões separadas, o SindCT e o Fórum de C&T sejam recebidos em Brasília.

A diretoria do sindicato falou sobre o grande número de servidores prestes a se aposentar, assinalou a necessidade de concurso público e de que sejam abertas, urgentemente, negociações junto ao governo para se tratar da pauta de reivindicações da carreira de C&T protocolada no Ministério do Planejamento em dezembro de 2009.

“É imprescindível a realização de concursos públicos para recompor quadros e implementar projetos”, afirmou o presidente do SindCT, Fernando Morais. “Em várias áreas não é mais possível a transmissão do conhecimento devido à ausência de novos especialistas. Em 2009, 130 dos 1.076 funcionários do INPE tinham mais de 30 anos de serviço e 639 entre 20 e 30 anos. Ou seja, mais de 70% dos funcionários estão com mais de 20 anos de casa”, observa.


INPE e DCTA: problemas parecidos

No DCTA a situação é parecida. “Estimamos que tanto o DCTA quanto o INPE precisam contratar, em caráter de urgência, 600 e 400 novos servidores respectivamente”, destaca Ivanil Elisário Barbosa, funcionário do DCTA e membro da diretoria do SindCT.

Francisco Conde, ex-presidente do Sindicato, lembra que durante os Governos Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso a situação salarial era crítica e a dupla jornada dos técnicos era comum.

“Muitos de nós cumpríamos a carga horária e depois dávamos aula, inclusive em outros municípios”, lembra.

“A defasagem histórica foi, em grande parte, resolvida, mas nosso salário nunca foi muito atrativo”, afirma Conde. No final do primeiro governo a categoria ganhava de 30 a 50% menos do que as categorias equivalentes de outras instituições.


Necessidades dos dois institutos

Mercadante afi rmou entender a necessidade de novas contratações e de salários mais atrativos. O ministro informou que as visitas visam conhecer o trabalho e as necessidades de cada instituto e que, após a formação de sua equipe, começará a tratar das questões da carreira e das particularidades de cada um.

No discurso aos servidores do INPE, Mercadante se mostrou familiarizado com a área e reafirmou compromissos assumidos em seu discurso de
posse, 3 de janeiro, em Brasília.

Comprometeu-se, ainda, com a recomposição do quadro de servidores dos institutos.


Valorizar a carreira de C&T

“Esperamos que o governo da presidenta Dilma Rousseff valorize e dê a importância devida à carreira de Ciência e Tecnologia”, afi rma o presidente do SindCT, Fernando Morais. “Esperamos do ministro
a defesa efetiva do setor espacial dentro do governo, que já o considerou estratégico”.

O SindCT considera importante essa aproximação do ministro com as instituições de C&T. Para a diretoria do sindicato, os compromissos assumidos em público por Aloizio Mercadante acendem a esperança de ações efetivas em defesa da C&T e, em particular, do setor aeroespacial da carreira.


Três compromissos do ministro no discurso de posse

1. Investimento
“Hoje já investimos 1,25% do PIB em tecnologia, porém é preciso enfrentar o desafi o de fazer esse índice avançar entre 2 e 2,5% na próxima década. Assumo o dever histórico de ampliar a participação da ciência, da tecnologia e da inovação no PIB brasileiro”.

2. Inclusão Social
“O mundo da ciência e da tecnologia é estratégico para que possamos crescer com qualidade, com cultura de inovação, gerando maior valor agregado aos nossos produtos, serviços e processos, aumentando a robustez e a competitividade global da economia e acentuando o
atual processo de inclusão social”.

3. Programa Espacial
“Devo mencionar duas grandes áreas estratégicas: a aeroespacial e a nuclear. O Brasil não pode prescindir de um Programa Espacial fortalecido que conte com recursos sufi cientes para atender às demandas por satélites e por aplicações espaciais. Deve aproveitar comercialmente as vantagens geográficas da Base de Alcântara. Com um veículo lançador operante poderíamos dominar toda a cadeia da indústria aeroespacial”.


As expectativas dos servidores

1. Reajuste Salarial
A questão salarial é fundamental para transformar a carreira de C&T em uma carreira atrativa. A expectativa dos servidores é que o novo governo não só esteja disposto a dialogar, mas que concretize os reajustes necessários e implemente a pauta de reivindicações protocolada junto ao Planejamento.

2. Concurso Público
Concurso público para a carreira é urgente. Em várias áreas não é possível a transmissão do conhecimento devido à ausência de novos especialistas. Mais de 70% dos funcionários possuem mais de 20 anos de casa.

3. Condições de Trabalho
Democratização em todos os níveis das instituições de Ciência e Tecnologia. Atenção especial à saúde do trabalhador, com avanços no programa federal “Saúde do Servidor”.

4. Infraestrutura
Ampliação do investimento em infraestrutura. Alguns setores operam com equipamentos defasados. O DCTA não consegue acompanhar as mudanças tecnológicas da área. O potencial é grande, recursos humanos existem,
mas os investimentos são muito pequenos.

*Colaborou: Fernanda Soares

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