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COSBAN

Parceria para os satélites CBERS continua e novos acordos são firmados com a China

 

Na 3a Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível (Cosban), foi assinado o Plano Decenal de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a Agência Espacial Brasileira e a China National Space Administration

 

Shirley Marciano

 

Agora é oficial. Brasil e China darão continuidade à cooperação para desenvolvimento de satélites, em especial os do Programa CBERS.

 

Esta e outras decisões foram tomadas durante a 3a Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), ocorrida em 6 de novembro em Guangzhou, na China, e discutiu um vasto rol de temas referentes a negócios e acordos de cooperação existentes entre os dois países, com a finalidade de avançar em diversas frentes, dentre elas ciência e tecnologia.

 

“Ambos os lados concordaram em assinar o Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a Agência Espacial Brasileira e a China National Space Administration, e decididamente implementar as ações para desenvolver os programas do Plano”, relata a ata oficial da 3a Reunião da Cosban.

 

Foi ratificado o propósito de lançar o CBERS-3 no início de dezembro de 2013, e o CBERS-4 em 2015. Houve concordância “em realizar o processo de montagem, integração e teste (AIT) do CBERS-4 no Brasil”, bem como em “lançar o CBERS-4 a bordo de um veículo Longa Marcha 4B e assinar o contrato de serviços de lançamento do CBERS-4 até o final de 2013”.

 

Também foram firmados na reunião o “Memorando de Entendimento para Criar Grupo de Trabalho Conjunto sobre Biotecnologia Agrícola e Biossegurança”; e o “Protocolo sobre os Requisitos Fitossanitários para a Exportação de Milho do Brasil para a China”, bem como acertados procedimentos e iniciativas para diversas outras frentes conjuntas.

 

Comércio bilateral

 

O projeto CBERS é fruto da cooperação igualitária entre os dois países, com a diferença de que a China domina a tecnologia em 100%, já o Brasil em apenas 50%.

 

Até dá para considerar que o Brasil avançou, pois antes detinha apenas 30%. Mas não dá para entender porque não houve ainda uma absorção completa desta tecnologia pela parte brasileira.

 

Obviamente essa questão não exclui a possibilidade de seguir em frente em parceria com a China, pois uma coisa não inviabiliza a outra.

 

É muito curioso que o Brasil não consiga dominar a tecnologia depois de tantos anos de parceria.

 

Mas não há dúvida que a relação com a China tem trazido importantes resultados em diversas áreas.

 

Para se ter uma ideia, o comércio bilateral envolveu, apenas em 2012, US$ 75,4 bilhões, ou seja, o Brasil exportou para a China US$ 41,2 bilhões e importou US$ 34,2 bilhões.

 

Subtraindo um valor do outro, ficamos com um superávit comercial de quase US$ 7 bilhões, um valor muito expressivo, pois o superávit total do Brasil foi de US$ 19,4 bilhões. “Houve avanços em todos os temas tratados.

 

Estamos demonstrando, Brasil e China, que é absolutamente possível o estabelecimento de cooperação entre países emergentes em temas que envolvem alta tecnologia”, declara Marco Antonio Raupp, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação, em nota enviada ao Jornal do SindCT sobre a reunião da Cosban.

 

Ele considera que a cooperação em C&T e na área espacial está em franca evolução. Na reunião da Cosban — que teve como principal representante do Brasil o vice-presidente Michel Temer, e da China o vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado Wang Yang — também ficou definido que o Centro Brasil-China de Nanotecnologia e Inovação vai se expandir.

 

Houve avanços ainda no tocante à criação do Centro de Biotecnologia, que agora depende apenas da nomeação dos representantes chineses na parceria. Também foram iniciados diálogos para atuação conjunta em parques tecnológicos, com o objetivo de reunir parques tecnológicos e empresas dos dois países para o encadeamento de ações ou mesmo para formação de joint-ventures.

 

Uma novidade tratada na reunião foi a ampliação das vagas para alunos brasileiros do Programa Ciência sem Fronteiras, que hoje são somente 272. Uma das iniciativas é a colaboração com o ensino do mandarim, por intermédio do Instituto Confúcio no Brasil.

 

A Cosban foi criada após a visita do então presidente Lula da Silva em maio de 2004 a Beijing. Naquele mesmo ano, em novembro, o então presidente Hu Jintao realizou visita ao Brasil. A partir daí, progressivamente foram aumentando as parcerias em diversas áreas, sobretudo em C&T.

 

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