Nossa Pauta - I

SEMINÁRIO

Entidades da carreira de C&T reúnem-se para preparar Campanha Salarial 2014

 

Em novembro, no Seminário do Fórum de C&T, 15 entidades representativas da carreira reuniram-se em Belo Horizonte para discutir reivindicações comuns às diferentes categorias e buscar a unificação de esforços na luta por salários e condições dignas de trabalho

 

Fernanda Soares

 

Quinze entidades representativas da carreira de ciência e tecnologia (C&T), entre elas o SindCT, reuniram-se em Belo Horizonte, entre os dias 11 e 13 de novembro, para realização do Seminário do Fórum de C&T.

 

 

 

Nos três dias de atividades, o Fórum realizou uma análise da conjuntura política e econômica do país, de seu impacto sobre a campanha salarial nos últimos anos e de como poderá interferir na próxima campanha. O Fórum se define como “um espaço político de discussão plural, democrático, apartidário” e “lugar privilegiado de construção da atuação conjunta em defesa da carreira de C&T”.

 

Além do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT), que responde atualmente pela secretaria do Fórum, compareceram ao Seminário 31 representantes das seguintes associações: dos Servidores da Fundação Capes (Ascapes); dos Funcionários do Instituto Nacional de Câncer (Afinca); dos Servidores do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de Belo Horizonte (Ascon-Bel), do Distrito Federal (Ascon-DF) e do Rio de Janeiro (Ascon-RJ); dos Servidores da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) de Poços de Caldas e Goiânia (Assec-PC/GO), de Minas Gerais (Assec-MG), do Nordeste (Assec-NE) e do Rio de Janeiro (Assec-RJ); dos Servidores do Instituto Evandro Chagas (Assiec); dos Servidores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Assinpa); dos Servidores Aposentados da CNEN e do Setor Nuclear (Aposen) e dos Servidores Aposentados e Pensionistas da Área Nuclear de Minas Gerais (Aspan-MG).

 

O Seminário teve início com a apresentação do presidente do SindCT, Ivanil Elisiário Barbosa, intitulada “Diagnóstico da Força de Trabalho dos Institutos Públicos de Pesquisa”. Ivanil apresentou o quadro das instituições, que sofrem constante queda no número de servidores em atuação, e com previsão de redução de mais de 50% nos próximos anos, caso não haja contratação de novos funcionários.

 

Sobre o fato de as instituições oferecerem cursos de especialização aos servidores, atividade questionada e combatida pelo ministro Marco Antonio Raupp, da pasta de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ivanil esclarece: “A diversidade na pesquisa é tão grande que é impossível para as faculdades entregarem profissionais formados para atuar em todas as áreas; portanto os institutos devem oferecer a especialização, na forma de pós- -graduação, para capacitar os pesquisadores”.

 

“É hora de mudar”

 

Representantes da Associação dos Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Assibge), da Associação dos Funcionários do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Afinpi) e da Associação dos Servidores do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Asmetro), entidades que representam servidores que já foram da carreira de C&T, compareceram ao evento para troca de informações.

 

Os representantes apresentaram a tabela salarial de suas categorias e deram informações sobre as campanhas salariais.

 

Claramente, algumas questões apresentadas são comuns a todas as categorias: aumento dos valores dos benefícios, da coparticipação no plano de saúde, implantação de três níveis de gratificação de qualificação (GQ) para os servidores de nível auxiliar, paridade nas aposentadorias e interpenetração da tabela de nível médio na tabela de nível superior.

 

O secretário de Política Sindical e Formação da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Rogério Antonio Expedito, também esteve presente para uma explanação sobre as mobilizações sindicais e ressaltou a necessidade de unir as carreiras em torno de uma pauta comum: “A criação de gratificações específicas dividiu as carreiras e cada uma passou a lutar sozinha.

 

Ao mesmo tempo, ocorreu o desmonte nos órgãos, já que a resistência era pequena. É hora de mudar esse quadro”. Luiz Henrique Macedo, presidente da Assec-PC/GO, criticou a atitude intransigente do governo: “As propostas de GQ para nível auxiliar e um vencimento básico robusto é o que querem todas as carreiras. O próprio governo já discutiu isso. Mas agora o governo diz que não vai negociar com nenhuma carreira e realmente não está negociando. Não há discussão de salário e nem compromisso em nos dar qualquer resposta.

 

Nós queremos recomposição salarial, revitalização dos setores de C&T e condições dignas de trabalho. Temos que preservar nossas instituições e lutar por nossas reivindicações”.

 

“Atuação conjunta”

 

Os resultados do Seminário do Fórum de C&T serão condensados na “Carta de Belo Horizonte”, que apresenta orientações de luta do Fórum de C&T para o próximo ano.

 

A “Carta” se divide em três partes: um breve histórico de duas décadas de existência do Fórum; uma coletânea dos princípios gerais norteadores da sua atuação; e, por último, uma normativa de funcionamento baseada no princípio do “necessário e suficiente”, da mínima burocracia e simplicidade.

 

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