Opinião

Enquanto Índia envia satélite a Marte, Brasil “soluça”

 

A Índia lançou no dia 5 de novembro, do Centro Espacial Satish Dhawan em Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh, sua primeira missão ao planeta Marte, um ambicioso projeto que somente Rússia, Estados Unidos e Agência Espacial Europeia conseguiram com sucesso.

 

A nave espacial Mangalyaan, ou “veículo de Marte”, de 1,35 tonelada, que custou US$ 73 milhões, ficará na órbita terrestre até 1º de dezembro, quando começará sua viagem de 300 dias até o planeta vermelho. O módulo espacial deve chegar a Marte no dia 24 de setembro de 2014, após percorrer 400 milhões de quilômetros.

 

Aí nos perguntamos: por que alguns países vão bem na área de desenvolvimento tecnológico e o Brasil, que tem condições similares ou melhores, caminha a passos de tartaruga? Se não temos respostas objetivas, pelo menos podemos tentar buscar algumas pistas: estaria faltando prioridade para a área de ciência e tecnologia no Brasil? Será que este tema tem sido levado como “ações de soluço”, ou seja, dando alguns saltos, principalmente quando aparece um fato que pressione (tal como aconteceu na questão dos vazamentos de Edward Snowden), mas na maior parte do tempo o país fica inerte?

 

O caso da Índia é no mínimo curioso. Como um país com problemas sociais tão graves consegue sair da vala comum e chegar a um posto de vanguarda na tecnologia espacial? Na realidade, a Índia se desenvolveu nessa área essencialmente por questões militares, motivadas por diferenças históricas com o vizinho Paquistão. Ali a briga tem um pouco de todas as pólvoras: política, religião, e eterna disputa territorial por uma região de fronteira, a Caxemira.

 

O modo de cada um mandar o recado de que está disposto a defender seus interesses é se armando e, sobretudo, desenvolvendo tecnologias bélicas. Não começaram do zero: a Índia aprendeu com a Rússia e o Paquistão com os EUA. Mas que relação têm as tecnologias bélicas com um satélite? Tudo, a começar dos mísseis, que possuem algumas tecnologias similares às usadas em satélites, como sistemas de correção de órbita.

 

Uma tecnologia foi levando à outra, e hoje a Índia é essa potência e acaba de lançar uma sonda para Marte. O caminho percorrido pela Índia, para cumprir a agenda que se propôs, iniciou-se por incentivar o desenvolvimento tecnológico nas universidades e enviar seus profissionais ao mundo inteiro para aprender e trazer tecnologias novas, fazendo surgir as pesquisas e também as empresas que suprem a demanda nas áreas espacial e militar.

 

Cabe agora ao Brasil decidir se vai querer continuar fazendo parte dos nanicos ou se entrará para o seleto grupo de desenvolvedores de tecnologias.    

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