Após superação de falhas, CBERS-3 será lançado em dezembro na China

SATÉLITE ESTÁ NA BASE DE TAIYUAN

Após superação de falhas, CBERS-3 será lançado em dezembro na China

Shirley Marciano

Após as atividades de Revisão de Prontidão (SRR), o satélite será transferido para a torre de lançamento e acoplado ao foguete Longa Marcha-4 para testes de pré-lançamento. Depois de muito vaivém em decorrência de falhas técnicas, finalmente foi agendado para a primeira quinzena de dezembro de 2013 o lançamento do quarto satélite de sensoriamento do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), que no Brasil é desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e na China pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST).

As falhas ocorridas no dispositivo de energia DC/ DC causaram um atraso de mais de um ano no lançamento do satélite, inicialmente previsto para acontecer em novembro de 2012. Mesmo assim, foi considerado um tempo razoavelmente pequeno, levando em conta que chegou a haver previsão de até dois anos de atraso, tempo que poderia variar dependendo da decisão que fosse tomada para solucionar o problema.

O caminho mais longo, defendido pelos mais conservadores, era o de trocar a empresa fornecedora, a americana Modular Device Incorporated (MDI), que entregou o lote com pelo menos 20% dos dispositivos defeituosos. Além disso, para eles não havia mais confiança nesta empresa porque ela estava com seu histórico bastante manchado por ter fornecido dispositivos com problemas também para o satélite Chandrayaan- 1, o que teria comprometido a missão indiana, conforme divulgado no Jornal do SindCT 19.

Sendo assim, se a opção fosse a de substituir a empresa, seria necessário encontrar outro fornecedor para os componentes e reprojetar todos os equipamentos para que pudessem receber os novos componentes. Então criou-se um impasse: trocar o fornecedor de componentes DC/DC, substituindo todos os componentes semelhantes instalados no satélite por outros equivalentes, correndo-se assim o risco de se postergar muito o lançamento do satélite, ou substituir os componentes defeituosos por outros idênticos, do mesmo fabricante, correndo-se o risco de o satélite vir a apresentar novas falhas, seja em solo, seja no espaço.

O INPE estava mais criterioso, querendo buscar uma opção que não deixasse margem para eventuais falhas no satélite quando este estivesse em órbita. Já o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) queria uma solução mais rápida para evitar desgaste com a China e com o Palácio do Planalto.

Fontes que não quiseram se identificar afirmaram que houve muita pressão ministerial sobre o INPE para que optasse pelo caminho mais curto: manter a empresa MDI e corrigir os dispositivos fabricados por ela. Ao final, a saída encontrada foi reprojetar os equipamentos mais críticos para que passassem a utilizar novos conversores, mantendo os conversores da MDI apenas nos equipamentos onde uma eventual falha não levasse à perda de toda a missão do satélite. “Erro de fábrica” Dessa forma, em seguidas viagens aos EUA, técnicos e engenheiros do INPE buscaram entender onde realmente estavam os problemas.

Chegaram à conclusão de que não havia um padrão nas falhas técnicas e tiveram, portanto, que trabalhá-los um a um. Porém, é fato também que os erros eram mesmo de fabricação, ou seja, da MDI. “Embora o erro seja mesmo da empresa contratada, entendo que só se arrastou a questão e atrasou o lançamento do satélite porque houve no mínimo uma certa omissão da direção anterior do Inpe e do MCTI, porque desde 2009 os dispositivos já apresentavam falhas e nada foi feito. Por que não resolveram essa questão antes?

E ainda resta a dúvida de quanto custou esse retrabalho e quem vai pagar esta conta”, desabafa uma fonte que não quis se identificar. Em pelo menos três expedições (17/7, 7/8 e 4/10), engenheiros e técnicos do INPE foram à China para realização de testes, principalmente com objetivo de verificar se realmente os componentes elétricos estavam funcionando bem. No dia 26 de agosto foi realizado o teste final, no qual tudo deu certo, e o satélite foi liberado.

O satélite já está na base de lançamento de Taiyuan (TSLC) desde o dia 18 de outubro, quando foi transportado do centro espacial de Beijing, na China. “O transporte foi realizado por trem e a viagem durou aproximadamente 15 horas. No centro técnico do TSLC, os especialistas do INPE e da CAST farão a integração dos módulos de serviço e de carga útil do satélite, que serão submetidos novamente a testes elétricos para verificar se não houve danos durante o transporte.

Em seguida serão realizadas as atividades de preparação final do satélite e a instalação do painel solar. Ao término destas atividades será feita a Revisão de Prontidão do Satélite (SRR), que autoriza o enchimento dos tanques de combustível do satélite”, explica Antonio Carlos de Oliveira Pereira Junior, engenheiro do INPE. Após as atividades de SRR, o satélite será transferido para a torre de lançamento e acoplado ao foguete Longa Marcha-4 para testes de pré-lançamento. Em 1988, os dois países criaram o Programa CBERS para juntar esforços pela capacitação na área de observação da Terra. Já foram lançados três satélites: CBERS-1, em 1999; CBERS-2, em 2003; e CBERS-2B, em 2007. Após o lançamento do CBERS-3, ainda em 2013, será lançado, até 2015, o CBERS-4.

Compartilhe
Share this

testando