Projeto VLS hoje, segundo seus gestores

Projeto VLS hoje, segundo seus gestores

Fernanda Soares

Em que situação se encontra o Projeto VLS, dez anos após a tragédia de Alcântara? “O projeto sofreu uma revisão crítica completa”, explica seu gerente, tenente-coronel Alberto Mello Junior. “Novos dispositivos de proteção foram criados no ambiente da plataforma de lançamento, aprimorando a segurança operacional”.

Tudo está equacionado para o lançamento de um protótipo em 2014, garante ele. Outras informações são acrescentadas pelo diretor do IAE, brigadeiro engenheiro Carlos Antônio de Magalhães Kasemodel: “Os subsistemas de redes elétricas e redes pirotécnicas foram reprojetados. Ensaios realizados no passado foram repetidos.

Novos testes como, por exemplo, o de separação dos propulsores do primeiro estágio, foram especificados e realizados. Novos equipamentos de ensaios, alinhados com a tecnologia atual, foram adquiridos. Hoje, o VLS mantém a mesma aparência externa, mas internamente são muitas as diferenças”.

O Jornal do SindCT esteve no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) em julho de 2012 para visitar a base e conhecer a nova torre de lançamento (TMI) e o trabalho realizado na Operação Salina, que marcou o reinício das atividades relacionadas ao VLS-1 em Alcântara.

Objetivo da operação: realizar o transporte, preparação e integração mecânica de um mock-up estrutural inerte do VLS- 1 — estrutura real do veículo sem combustível a bordo — e ensaios e simulações para verificação da integração física, elétrica e lógica da TMI e dos meios de solo do centro de lançamento, associados à preparação para voo do foguete.

Durante os 26 dias de trabalho, os funcionários também passaram por treinamento e prevenção de acidentes, com simulação de um acidente com vítimas. Valderci Giacomelli, pesquisador que acompanhou a visita do Jornal do SindCT, confessou: “Estava aqui quando aconteceu o acidente. Foi emocionante ver o VLS montado de novo na base”.

Atualmente, a equipe trabalha com o Vsisnav, ou Veículo Lançador do Sisnav, Sistema de Navegação do VLS-1. Antes nomeado VLS-1 XVT-01, o VSisnav é uma versão do VLS- 1 que será utilizada para ensaios de navegação em voo. O primeiro lançamento do VSisnav na nova TMI, somente com o primeiro e segundo estágios ativos, estava previsto para 2013, mas foi adiado.

O voo de teste tecnológico do VSisnav foi reagendado para 2014. Com Com poucos recursos, o Projeto VLS caminha lentamente, podendo ainda realizar testes, ensaios e preparação de equipe”. O Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) prevê um

lançamento para 2015. Porém, embora os recursos destinados ao Projeto VLS no PNAE sejam da ordem de R$ 45 milhões a R$ 60 milhões anuais, valores modestos, efetivamente o projeto tem recebido menos ainda: R$ 15 milhões. “Um cronograma físico não resiste à falta de recursos”, lamenta Mello Junior. Também não houve a reposição de pessoal: “Estamos com problemas em alguns setores porque o pessoal já se aposentou”, reconhece o oficial. Leia a seguir os principais trechos das declarações do tenente-coronel ao Jornal do SindCT:

Quais avanços ocorreram no projeto VLS nestes últimos 10 anos?

O projeto sofreu uma revisão crítica completa e passou-se a adotar a cultura de certificação, melhorando a garantia da qualidade dos produtos. O veículo e os meios de solo do IAE e do CLA estão utilizando componentes compatíveis com o que há de mais moderno no mundo.

A revisão crítica levou à reestruturação co pleta das redes elétricas e redes pirotécnicas. Dados coletados durante os voos dos veículos V 01 e V 02 também foram minuciosamente analisados e soluções de amortecimentos foram implantadas visando melhorar a confiabilidade funcional dos sistemas embarcados. Novos dispositivos de proteção foram criados no ambiente da plataforma de lançamento, aprimorando a segurança operacional.

Há previsão de voltar a utilizar o DMS? Qual o status atual do projeto VLS?

Os próximos veículos contarão com todos os dispositivos necessários para garantia da confiabilidade dos sistemas, reduzindo-se qualquer risco de incidente para faixa de extremamente improvável. Este é o mesmo nível de segurança que se tem quando se embarca em um avião comercial. O DMS [dispositivo de segurança] a ser empregado já no VSisnav possui acionamento remoto, tendo sido amplamente testado.

A filosofia atual do projeto é a de se cumprir etapas. O orçamento previsto nos permite que se atinjam até o próximo ano duas metas bem definidas: o ensaio dos sistemas embarcados e o voo do VSisnav. Todo recurso necessário para essas duas metas já está assegurado. Para a continuidade do projeto, ou seja, lançamento do protótipo do VLS, o XVT-02, e do VLS V 04, será necessária complementação de verba. As autoridades em nossa cadeia de comando estão cientes e sensibilizadas com essa situação e buscam a solução para o problema. A segurança física, a qualidade do produto e o foco no cumprimento da missão jamais serão comprometidos. O projeto somente seguirá adiante com os recursos necessários para se cumprirem todos os processos do desenvolvimento seguro. Não há exceção.

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