Aprofundar as mudanças, acelerar a integração

Foro de São Paulo

Aprofundar as mudanças, acelerar a integração

Por Valter Pomar(*)

O Foro de São Paulo é uma organização criada nos anos 1990, a partir de um seminário internacional convocado pelo Partido dos Trabalhadores do Brasil. Trata-se de uma articulação de partidos políticos da América Latina e Caribe, que faz encontros mais ou menos anuais. No caso do Brasil, os partidos integrantes são, além do PT, o PC do Brasil, o PSB, o PDT, o PC Brasileiro e o Partido Pátria Livre.

 

Este ano, o XIX Encontro foi no Brasil, na cidade de São Paulo, de 29 de julho a 4 de agosto. 
Participaram dirigentes de partidos políticos, lideranças sociais, parlamentares, governantes, além de observadores e convidados vindos da Europa, África, Ásia e Estados Unidos. 

As atividades do Encontro serão realizadas nos hotéis Braston São Paulo (Rua Martins Fontes, 330 – Consolação) e Novotel Jaraguá (Rua Martins Fontes, 71 – Consolação). 
O ato de abertura, contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será na Quadra dos Bancários (Rua Tabatinguera, 192 – Centro). Os debates do XIX Encontro serão orientados por um Documento Base, disponível na página www.forosaopaulo.org. 

Não se trata de uma “tese guia”, que será submetida a posterior emenda e votação, mas tão somente de uma contribuição ao debate.
O Encontro propriamente dito foi precedido pela II Escola de Formação Política do Foro de São Paulo; por uma reunião entre os partidos membros do Foro de São Paulo que governam e integram o governo dos países do MERCOSUL; por cinco encontros setoriais (V Encontro de Juventudes do Foro de São Paulo, II Encontro de Mulheres do Foro de São Paulo, I Encontro de Afrodescendentes do Foro de São Paulo, Encontro de Parlamentares dos partidos do Foro de São Paulo, Encontro de Autoridades Locais e Subnacionais dos partidos do FSP).

Também como parte do XIX Encontro, ocorreram sete seminários: 
a) África e América Latina; 
b) Brics e América Latina; 
c) Oriente Médio e África do Norte; 
d) Estados Unidos; 
e) Europa; 
f) o III Seminário de balanço dos governos progressistas e de esquerda; 
g) A contribuição de Hugo Chávez para o processo de mudança na América Latina e no Caribe.

A programação inclui, ainda, 21 oficinas temáticas: 
a) Políticas de saúde mental e drogas; 
b) Luta pela democracia na Internet e nas redes sociais; 
c) Luta pela paz e contra o militarismo; 
d) Movimentos sociais e participação popular; 
e) Políticas sociais; 
f) Processos eleitorais; 
g) Povos originários; 
h) Recursos naturais; 
i) Segurança e soberania agroalimentares; 
j) Trabalhadores da arte e da cultura; 
k) União e integração latino-americana e caribenha; 
l) Colonialismo e autodeterminação; 
m) Defesa; 
n) Democratização da informação e da comunicação; 
o) Desenvolvimento econômico; 
p) Estado, democracia e participação popular; 
q) Meio ambiente e mudança climática; 
r) Migrações; 
s) Movimento LGBT; 
t) Movimentos sindicais; 
u) Segurança e narcotráfico.

Além disso, houve as reuniões do Grupo de Trabalho, das Secretarias regionais, a reunião da Comissão de Fundações e Escolas ou Centros de Capacitação, as plenárias do XIX Encontro e o ato inaugural. Todas essas atividades têm como eixo temático aprofundar as mudanças e acelerar a integração regional. 
Quem quiser saber mais sobre o Foro, poder ler o livro Foro de São Paulo: construindo a integração latino-americana e caribenha (Editora da Fundação Perseu Abramo). 

O XIX Encontro ocorre numa conjuntura histórica marcada pela crise global, pelo declínio da hegemonia dos Estados Unidos, pela emergência de novos polos de poder mundial, pela instabilidade e por conflitos políticos, sociais e militares cada vez mais intensos e perigosos. 

América Latina e Caribe sofrem os efeitos desta situação mundial, mas ao mesmo tempo constituem uma região marcada pela presença de movimentos sociais, partidos políticos e governos que não apenas têm conseguido reduzir os impactos da crise, como também têm conseguido implementar políticas públicas e colher resultados práticos que constituem inspiração e esperança para amplos setores da humanidade.
Os meses posteriores ao XIX Encontro serão marcados por um intenso calendário de lutas sociais e eleitorais. 

Considerando apenas as eleições presidenciais, a disputa começa por Honduras, onde as esquerdas apoiam Xiomara Castro Zelaya. 
Entre novembro e dezembro de 2013, Michelle Bachelet pode voltar a presidir o Chile, apoiada por uma coligação agora integrada desde o primeiro turno pelo Partido Comunista.

E em fevereiro-março de 2014 teremos a disputa presidencial em El Salvador. 
O candidato da esquerda salvadorenha é Salvador Sanchez Ceren, atual vice-presidente de El Salvador e dirigente da Frente Farabundo Marti. 
A sequência de eleições prossegue até o último trimestre, quando teremos eleições no Brasil, Uruguai e Bolívia, as duas primeiras em outubro e a última em dezembro de 2014. 

Nosso sucesso nas eleições e principalmente depois delas depende em boa medida da articulação adequada entre a ação dos governos, partidos e movimentos sociais. 
E, tendo em vista que a direita local está articulada com o imperialismo, nosso sucesso dependerá cada vez mais, da solidariedade e da integração regional. 

Esperamos que o XIX Encontro do Foro possa ter contribuído para um engajamento ainda maior da esquerda brasileira, especialmente o engajamento do Partido dos Trabalhadores nessa história viva que, com suas virtudes e defeitos, com seus acertos e erros, escreve dia a dia a esquerda latino-americana em favor de um futuro de democracia, desenvolvimento, integração e socialismo.

* Valter Pomar é membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores e secretário executivo do Foro de São Paulo.

 

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