Documento produzido pelo ETE tem adesão de 90 dos 110 servidores

ETE busca soluções que visem o servidor e o desenvolvimento tecnológico nacional

Documento produzido pelo ETE tem adesão de 90 dos 110 servidores

Por Shirley Marciano

Servidores pertencentes à Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial -  ETE do Inpe produziram e entregaram ao diretor do Instituto, Leonel Perondi, um documento no qual expõem os problemas e os dilemas vivenciados. 

De acordo com os servidores, a ideia foi expressar uma visão interna e aproveitar o momento para repensar  uma reestruturação do ETE. A princípio, a busca é pela melhoria  na execução das missões de pesquisa, desenvolvimento e inovação para projetos de satélites e itens de  aplicação espacial, em consequência, uma maior valorização de toda a força de trabalho. 

Por iniciativa dos próprios funcionários, foi criada uma comissão informal com representantes de cada uma das divisões do ETE. Assim, fizeram reuniões, discutiram os problemas e as possíveis soluções. Curiosamente, os itens eram muito similares, com destaque, por exemplo, à falta de integração das divisões, as quais deveriam estar trabalhando em sintonia. Depois de reunir e  compilar todas as informações mais relevantes, transformaram num  único documento, que foi assinado por 90 dos 110 servidores do ETE, considerando ainda que havia pessoas em viagem ou em período de férias. 

“Esta adesão chegou a nos surpreender. Acredito que tenha sido muito positiva, pois há muito tempo existem conversas informais sobre os problemas existentes. Faltava apenas organizar tudo isto.  “Não queremos que esse relatório fique apenas no papel, porque o objetivo principal é que deste documento parta ações no sentido de trazer melhorias. Estamos dispostos e o Inpe, sem dúvida, sairá ganhando em termos de avanços”, explica Heitor Patire, membro do Departamento de Mecânica Espacial e Controle – DMC. 

Dentro de um contexto geral, Patire destaca que buscam uma reorganização da Engenharia para melhor atender às demandas do Programa Espacial Brasileiro, que há cerca de 20 anos vem sendo sucateada por decisões ou ingerências políticas do próprio ministério de ciência, tecnologia e inovação. 

Um dos problemas mais citados no relatório é uma preocupação com a preservação do patrimônio intelectual acumulado ao longo das últimas décadas, e que está com risco de ser perdido, caso não existam ações rápidas, como a contratação imediata de mais pessoal para transferir este conhecimento. Avaliam que a atual forma de acompanhamento dos contratos feita pelos fiscais leva à sobrecarga de atividades, pois muitas vezes estes funcionários são tomados por serviços burocráticos ao invés de concentrar esforços na parte técnica. Portanto, seria necessário rever o papel do responsável técnico, do gerente e do fiscal de contrato.

Considerando o cenário atual, entendem que o país corre o risco de ficar sem desenvolvimento tecnológico e fadado a apenas comprar produtos de fora com custo tecnológico agregado. Desta forma, continuariam submisso à lógica da dependência, em detrimento de uma soberania tecnológica em potencial. Para que isto não ocorra, descrevem como sendo imprescindível  exercitar um ciclo completo de desenvolvimento de equipamentos, desde a concepção até a validação do produto, e é neste contexto  que a ETE teria  papel fomentador junto às indústrias. 

Seguem algumas das principais reflexões sobre cada uma das divisões:

Divisão de Mecânica e Controle - DMC

a) Consideram que um dos maiores problemas existentes nesta divisão é a segregação das atividades e também dos servidores;
b) falta participação do DMC nos projetos, que hoje é praticamente nula;
c) hoje a centralização de gerência de projetos em um único departamento dificulta o andamento dos trabalhos;
d) falta transparência nas decisões tomadas com relação aos projetos;
e) a ausência de planos, metas e investimentos para pesquisa e desenvolvimento tem esvaziado o Inpe e desmotivado toda a equipe. 

Departamento de Sistemas e Solo - DSS 
a) A falta de foco seria um dos grandes problemas vivenciados pelos servidores hoje; 
b) não existem programas de pesquisa bem definidos e, por esta razão, muitos acabaram desenvolvendo projetos que atendam interesses pessoais, para treinarem a própria capacitação; 
c) neste momento, falta um gerente que defenda os projetos,  determine prazos e os controle;
d) há dificuldade para efetuar compras, devido às burocracias, o que tem atrapalhado os prazos;
e) também foi levantado que hoje não há uma definição da relação que deve existir entre o Inpe e as empresas.  

Serviço de Manufatura - SMF 
a) Uma das maiores dúvidas seria  a ausência de definição de papel das divisões e do próprio ETE, pois hoje quase não há desenvolvimento de novas tecnologias para aplicações espaciais, até mesmo porque a maioria está fiscalizando projetos desenvolvidos pelas indústrias; 
b) seria necessário preparo e suporte para as equipes executarem suas tarefas de forma mais eficiente;
c) falta divulgação dos trabalhos realizados na ETE, pois através dela seria possível definir novas linhas de trabalho;
d) falta na instituição um setor que pudesse dar suporte aos processos de compras para evitar atrasos no projetos.

Serviço de Garantia do Produto - SGP 
Considerando que a função do Serviço de Garantia do Produto deve estar totalmente incorporada ao gerenciamento dos projetos/missões e que deve receber a mais alta prioridade, o setor avalia que a citada divisão deveria ser mais destacada dentro da estrutura organizacional da ETE, resultando em obtenção de: 
a) autoridade para aprovação ou não de eventos contratuais dos projetos; 
b) envolvimento em todas as fases dos projetos/missões; 
c) número adequado de servidores; 
d) incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento. 

Divisão de Sistemas Espaciais - DSE
a) Não consideram que existam planos ou metas diretoras para pesquisa e desenvolvimento que possam visar à integração das divisões da ETE e das coordenações do Inpe; 
b) há pouco alinhamento dos programas com os projetos de desenvolvimento internos à ETE, muito menos ainda, com projetos de pesquisas ligados à pós-graduação; 
c) o controle de projetos é bastante deficiente, pois os prazos não são levados a sério;
d) a estrutura montada para a Missão Espacial Completa Brasileira - MECB não evoluiu, em termos de projeto, planejamento, controle e documentação e talvez esteja sendo perdida; 
e) seria preciso a elaboração e a implementação imediata de um plano de desenvolvimento, como norteador de pesquisas e capacitação, visando à soberania em segmentos estratégicos,  que utilize a pós-graduação como fonte de mão-de-obra para prospecção e pesquisa.

 

 

 

 

 

 

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